Na vala comum

Alguém achou, lendo o q escrevi ultimamente, que ando pessimista? Espere até ver o demolidor comunicado em que a agência de risco Standard & Poor’s justifica o rebaixamento do Brasil para a categoria “junk” (lixo em inglês). Segundo os critérios internacionais de investimento, o Brasil passa a ser um pagador não confiável. Os títulos do Tesouro Nacional caem no balde comum do q é considerado “especulativo”.

Como se não bastasse, fomos tambem avisados de que podemos ser rebaixados de novo (“perspectiva negativa”, diz a agência).

Moral imediata da história: o custo da dívida externa dos governos e das empresas está mais alto. Porque as notas dessas agências servem de parâmetro para os investidores decidirem o grau de risco que estão dispostos a correr. Por definição , e não há mágica a se fazer a partir daí, quanto pior a nota, mais alto o juro.

As cuidadosas justificativas da S & P não deixam dúvida. O Brasil perde sua condição de país em que se recomenda investir porque: a situação fiscal piorou, o governo não mostrou a prometida determinação em melhorar suas contas, a dívida pública vai aumentar, e a recessão será maior e mais longa do que o previsto.

Em meio às investigações de corrupção na Petrobras, o governo está politicamente fraco, não consegue acordos com o Congresso, tem baixa aprovação da população, e a presidente corre o risco de impeachment (a S & P ressalva, porém, que não levou em conta a interrupção do mandato presidencial para rebaixar o Brasil).

Lembrete meu: Dilma Rousseff já detinha a posição de primeiro presidente em 85 anos a mergulhar o Brasil em 2 sucessivos anos de recessão (2015 e 2016).

Agora, mais delicada ainda é sua governabilidade, sua fragilidade política.

Como observou o jornal londrino Financial Times, o rebaixamento é um grande golpe no governo dela.