A credibilidade virou pó e a conta sobrou pra você

Com desemprego alto, as pessoas compram menos. Ou nem compram. Se a população como um todo recebe menos salários, o imposto de renda retido pelo governo na fonte cai, correto?
Quando esse cliente, desempregado ou sob ameaça de demissão some, as empresas faturam menos e, portanto, têm menos impostos a pagar.
Eis a recessão, momento em que a arrecadação dos governos (federal, estadual e municipal) cai.
O que o governo faz? Diz que a arrecadação caiu, e que, (também) por isso, precisa aumentar impostos.
Bem na hora mais difícil, em que pessoas e empresas lutam pra manter o nariz acima d’água.
Mas o governo não fez provisões para tempos difíceis?
Aí que está. No Brasil se fez o contrário. Distribuíram-se
favores a rodo em tempos de pujança. Com dinheiro seu, meu, nosso. Sem pedir licença.
Desperdiçou-se a era em que as commodities que exportamos estavam bombando. Hoje, acabou a alegria do minério de ferro, da soja, do café. Tudo está em baixa no mercado internacional.
Acabou-se o que era doce, e já estava criado, pelo Tesouro Nacional, um tremendo buraco nas contas que, ainda por cima, foi ardilosamente maquiado e teimosamente desmentido.
Insistiu-se que tudo estava ok no orçamento da União. Chegou a hora da verdade, o rombo apareceu, nossa credibilidade virou pó, e pra quem sobra arrumar a casa? Acertou.
Na maré boa, fizeram e desfizeram das contas públicas pensando na eleição.
Agora, caro contribuinte, vá ao cinema para contribuir com dois milésimos para o rombo da Previdência. (Como é que é, ministro? Previdência?)