Efeito “dois milésimos” na farinha do muito pobre

Como acabei de comentar com um de meus queridos seguidores: esses governadores não são mesmo uns fofos? Batem o pé pelo aumento da alíquota! Senão, não deixam as respectivas bancadas aprovarem a CPMF.
Mas olha, ainda resta uma esperança, porque parece que nossos legisladores começam a ficar com um certo receio de aprovar uma medida tão simpática a seus eleitores (a ironia é minha; claro que não é simpática).

Sejamos um tiquinho otimistas. Quem sabe depois, pelo menos depois de não conseguirem o ok do Congresso, eles se lembram de ir buscar o buraco no orçamento junto a todas as quadrilhas, que continuam por aí às gargalhadas levando propinas pra lá e pra cá em malas à prova de qualquer CPMF? Hein? Ah, vai: admita-se. Seria melhor e mais produtivo do que cobrar de ricos, pobres e também de muito pobres, como é o caso da CPMF.

Garanto que cobre o déficit e dá até um belo superávit.

Porque nessa história de que pobre não sofre com CPMF ninguém mais acredita. Ou acredita?
Se houver dúvidas: é justamente no pobre, que já é quem mais é castigado pela volta da inflação (de longe o pior imposto de todos), que desemboca a mais nefasta consequência de um imposto como a CPMF. É a taxa cobrada na forma da famosa cascata. Quer dizer, toda a cadeia de produção, desde o pequeno camponês que comprou sua semente, até a boca do caixa do supermercado, terá passado pelos seus dois milésimos (ou teria passado – se nós, em nosso incorrigível otimismo, conseguirmos imaginar a reprovação pelo Congresso). Resultado? Pois é, o quilo da farinha + vagabunda vai onerar você, eu, nós, que, por acaso, também estaremos (ou melhor, estaríamos) desembolsando nossos dois milésimos toda vez que abrirmos a torneira pra lavar a mão.

Óbvio que o muito pobre, que não tem conta bancária nem nada, mas de vez em quando compra farinha, estaria sendo muito mais onerado do que as quadrilhas que usaram o dinheiro das licitações pra se encher de Porsches, Ferraris e tudo o mais que já foi revelado só até aqui.

Mas que confusão conseguiram fazer desta vez. A própria presidente tinha mandado desmentir. Tinha desautorizado completamente a CPMF há pouco mais de uma semana!

Bagunça.