E nos cargos de confiança, não vai nada, não?

Então ficamos combinados assim: vale a pena trabalhar no setor público. Se for ‘comissionado’ ou se tiver vocação pra ladrão.
No concursado, aquele servidor que ralou e estudou muito pra ser aprovado, e que não nasceu pra roubar, é créu. Ok, não sou ingênua, e sei que alguns se acomodam, sim, porque só eles têm estabilidade.
Mas: 1) claro que não são todos, e 2) a estabilidade é discutível, mas é lei.
Alto lá ao culpar o servidor (concursado!) por ser estável.
Além do mais, nada mesmo justifica congelar o salário deles por tanto tempo, pagá-los mal, e, agora, adiar por mais sete meses o reajuste previsto para janeiro de 2016.
Assim como o alegado buraco no orçamento federal não justifica aumento de impostos.
Porque está mais do que documentado que o “déficit” federal é resultado do ralo pelo qual o dinheiro dos impostos sangra continuamente.
Foi agravado, lógico, pelas artimanhas que o governo tentou fazer para forjar um equilíbrio e enganar não só as agências de risco, mas até o Fundo Monetário Internacional.
Agora, o mesmo e reeleito governo foi obrigado a abrir o jogo.
A pergunta que o eleitor faz e refaz é: antes, o mesmo governo procurou demitir algum diretor de área internacional (por exemplo) de uma grande estatal que, aos olhos do chefe (a presidente), poderia não estar trabalhando em defesa do interesse público, e sim dos interesses de sua própria família e da  quadrilha ou organização criminosa que o cerca?
Porque todos sabemos que os nomes agora conhecidos através da Lava Jato só foram demitidos bem depois dos 50 minutos do segundo tempo. Eles estão presos e/ou sob investigações criminais.
Será que há outros, em outras estatais, que têm condutas parecidas e, portanto, devem ser demitidos antes que o estrago seja maior? Ou antes que o alegado buraco das contas públicas afunde mais?
Afinal, são cargos de confiança, e, para demiti-los, a presidente pode apenas deixar de acreditar neles.
Não temos notícia da faxina ética que foi usada como mote de marketing na primeira metade do primeiro mandato da presidente. A cada nova fase da Polícia Federal, a organização criminosa instalada no governo se revela mais ousada e destemida.
Segue roubando.
A gente segue pagando.
Tenha dó. Assim não dá.
P.s.:
Fiquei pra lá de surpresa com a reação dos servidores à minha breve análise publicada sexta sobre esse descabido “desajuste fiscal” inventado pelo governo e que, se o Congresso aprovar, vai punir os brasileiros honestos. Não sabia que eles se sentem tão hostilizados pela sociedade.