Duas décadas perdidas

Para os 34 milhões de brasileiros que nasceram a partir de 1995, as manchetes e a preocupação com o dólar são inéditas. Eles tinham no máximo 7 anos quando o dólar bateu recordes pela última vez. Foi em 2002, na primeira eleição do presidente Lula.
Daí em diante, a política econômica posta em vigor voltou a resgatar a credibilidade do real.
O recorde batido hoje é apenas um espelho das surpreendentes medidas econômicas implementadas pela presidente Dilma Rousseff desde janeiro de 2011.
Quando ela assumiu, o dólar valia R$ 1,6662. E o euro, R$ 2,20.
Preços de fechamento hoje, 22 de setembro de 2015: dólar a R$ 4,05 e euro a R$4,51. Altas de 143% e de 105%, respectivamente.
A inflação do governo Dilma nada tem de exemplar. Acumula humilhantes 36% em 4 anos e 8 meses. Pois se o dólar tivesse apenas acompanhado a inflação, estaria em R$ 2,26, e o euro, em R$ 3,00.
O que significa que o aumento do dólar em termos reais, isto é, já descontada a inflação, é de 80%. O do euro é de 50%.
Se alguém se interessar por um período mais curto: só na última semana, o dólar subiu 5% frente ao real.
Para os jovens de 20 anos, é tudo surpreendente.
Para os brasileiros que, como eu, têm 61 anos, o sentimento é de desesperança. Não posso dizer que não tenha pensado na possibilidade, mas, até o começo do ano, preferia não acreditar que voltaria a dar esse tipo de notícia, que tanto precisei repetir durante quase duas décadas, as de 80 e 90.
Desnecessário explicar por que isso acontece com a moeda.
O governo Dilma não previu, mas pode-se dizer, sem medo de errar, que, principalmente depois do também inédito orçamento deficitário enviado ao Congresso, estranho seria se isso não tivesse acontecido.