Congresso aprova, mas depois desaprova

Eu queria ser uma mosquinha pra saber só dois milésimos (alô ministro Joaquim Levy!) do que rolou entre segunda-feira e esta madrugada para convencer os srs. deputados e os srs. senadores a mudarem tão radicalmente de opinião.
De árduos defensores do combalido povo, “que não aguenta mais sacrifícios”, de duros críticos do descontrole das contas públicas, e depois de muitas ameaças de uma debandada geral da base aliada, não é que passaram a concordar com os vetos da presidente Dilma Rousseff a projetos antes aprovados por eles mesmos?
Não mais que de repente, os parlamentares se disseram conscientes da necessidade de conter as despesas públicas. E mudaram de ideia.
Para derrubar um veto presidencial, a votação do Congresso é conjunta. Deputados e senadores se reuniram, e, numa sessão que acabou lá pras 2:30 da manhã, deram à presidente Dilma Rousseff uma vitória acachapante.
Dos 32 vetos, 26 estão mantidos. Faltam 6, entre eles um dos mais difíceis. O reajuste dos servidores do Poder Judiciário.
Se eu tiver que dar um palpite, arrisco o de que as bancadas do PMDB (cujos principais interlocutores foram os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros), não terão queixas quando a presidente trocar alguns de seus ministros.