Caso Volks se agrava, e as piadas sobre os conselhos de Lula se multiplicam

Sei não, mas acho que tem algo muito estranho rondando a indústria automobilística. Um dia antes do governo americano anunciar as falcatruas da Volkswagen, ponderei aqui que já está mais do que na hora de parar com essa moda do recall.
Dia sim outro também saem novos comunicados. E o proprietário do modelo que trate de ficar atento. Ai dele se não aparecer na concessionária para fazer o reparo.
Hoje, foi a vez da Hyundai anunciar o “recall” (“nova chamada”, ou “venha de novo”) de 470 mil Sonatas que circulam nos Estados Unidos. Encontrado um “problema crítico no motor” dos modelos 2011 e 2012.
Diante do “desastre moral e político” da Volkswagen (nas palavras da própria empresa), revelado há uma semana, pergunto-me se, depois dos bancos, estamos entrando na era dos escândalos da indústria automobilística.
Pra quem não lembra, as multas ao setor bancário depois do episódio Lehman Brothers, já somavam, só até 23 de agosto, U$ 260 bilhões, segundo levantamento do Financial Times, que, à época, fez a ressalva: vêm aí mais U$ 60 bilhões. Em tempo: com o dólar rondando os R$ 4, o total equivale a monumentais R$ 1,28 trilhão.
As multas e o prejuízo da Volks serão fantásticos e ainda é impossível estimar valores. Depois de denunciada nos Estados Unidos, a empresa admitiu ter vendido carros a diesel no mundo todo com o equipamento que falsifica testes de emissão de gases poluentes.
Em uma semana, o presidente mundial caiu, as ações despencaram, e o novo presidente empossado hoje suspendeu engenheiros e técnicos (nomes e número não revelados) responsáveis, segundo ele, pelo “comportamento ilegal” que levou a esse vexame internacional, para dizer o mínimo.
The Guardian, um dos maiores jornais do mundo, e com sede em Londres, lembra que as ações caíram mais 4,3% hoje, e que a empresa admitiu ter instalado o falsificador dos testes também em veículos comerciais. E ainda: depois da suspensão de uma parte da equipe, pelo menos 4 executivos deverão ser demitidos.
O Financial Times que circula neste fim de semana faz revelações gravíssimas sobre o assunto. Advertidos há dois anos sobre as mentiras da Volkswagen, os fiscais União Européia nada fizeram. A omissão, segundo o jornal, expõe a força do lobby da indústria automobilística na região, onde os carros movidos a diesel vendem cada vez mais, e já respondem por 53% do mercado.
O Market Watch, também especializado em economia e finanças (americano, ligado ao grupo Wall Street Journal), faz referências a um outro “desastre” na empresa. O de relações públicas. Especialistas dizem que as respostas foram lentas, desarticuladas, e pioraram uma crise que já era ruim.
E aqui no Brasil, as piadas sobre os conselhos do ex-presidente Lula ao presidente da empresa crescem e se multiplicam. Os bem humorados de plantão imaginam as respostas do executivo alemão, se tivesse ouvido o ex-líder dos metalúrgicos do ABC: “a mídia golpista persegue a Volks por fazer carros para o povo”; “a Volkswagen não inventou a poluição”; “eu não sabia de nada”; ou “a poluição sempre existiu na indústria automobilística e a elite agora está chocada”.