Não é extorsão, é propina

A propina virou regra do jogo. A naturalidade com que é paga é assustadora.
Para mudar essa cultura, de dimensões sistêmicas, é preciso que as autoridades atuem duramente contra a corrupção, que a justiça criminal seja reformada, e que os empresários se recusem a pagar e denunciem o corrupto.
A receita é do juiz Sergio Moro, encarregado da Lava Jato, e foi prescrita como sendo a única saída para o problema que corrói o Estado brasileiro.
Ele esteve em São Paulo, onde fez palestra a empresários na quinta-feira, 24 de setembro.
No mesmo dia, o Ministério Público estadual também de São Paulo informou que o Morumbi Shopping está entre os 28 casos da “Máfia dos Alvarás”, revelada em 2013.
O Morumbi Shopping, localizado em bairro de alto poder aquisitivo na capital, é investigado por ter pago 3 parcelas de R$ 500 mil (total de R$ 1,5 milhão) a fiscais da prefeitura em troca de autorização para obras de expansão.
A promotoria diz que o empreendimento parece ter sofrido extorsão de funcionários municipais.
A julgar pelo que disse o juiz Moro, porém, a propina é a regra. A extorsão existe, mas é exceção.
E é a essa regra que se espraiou por todos os tecidos da sociedade, que os empresários precisam reagir.
Faz sentido.