Mais desmoralizadas que o real, só mesmo as ações da Volks

Outro dia infernal para a Volkswagen. As ações, que valiam 162,40 euros no dia 17 de setembro, véspera da divulgação da fraude em seus motores a diesel, fecharam hoje em 99,30 euros na bolsa de Frankfurt. É um tombo de 38,8% em sete pregões, incluída a queda, só hoje, de 7,46%.

Promotores alemães abriram investigação para apurar a responsabilidade criminal do agora ex-presidente da Volks, demitido menos de uma semana depois da revelação das falcatruas. Foi a agência reguladora de meio ambiente do governo americano quem descobriu que milhares de carros a diesel saíram da fábrica com software que mente sobre a emissão de gases poluentes exata e precisamente na hora dos testes. Isto é, quando os veículos não estão em movimento.

A notícia piorou a imagem da empresa junto aos acionistas, que vêm sofrendo seguidas decepções. Eles amanheceram preocupados com a estabilidade financeira da maior automobilística do mundo, por causa do anúncio do Banco Central Europeu na véspera. A autoridade monetária da zona do euro comunicou, no domingo, que suspenderia as compras de títulos (bônus) da Volkswagen.

Se outros grandes investidores fizerem o mesmo, o problema obviamente só aumenta.

Além disso, a Audi, que é da Volks, anunciou que 2,1 milhões de seus modelos compõem o total de 11 milhões de unidades que, segundo confissão da própria Volks, enganaram governos e proprietários durante anos a fio.

No Brasil, a Audi não vende carro a diesel.

A Skoda, tcheca, também da Volks anunciou o tamanho da sua fatia no mesmo bolo. É de 1,2 milhão. Carros da marca espanhola Seat (idem grupo Volks) também passarão pelo mega recall.

E o mundo agora, pelo jeito, desconfia de (quase) todos no setor. Hoje, sobrou também para as francesas Renault e Peugeot, que caíram mais de 4% na bolsa de Paris.