Real, a moeda ‘emergente’ que afunda mais rápido

Acabo de ler no Financial Times: “Real brasileiro lidera o enfraquecimento das moedas dos países emergentes”.

Entre quarta e sexta da semana passada, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, interveio no câmbio e de fato acalmou o “enfraquecimento” (tradução mais camarada do substantivo empregado pelo jornal inglês) do real.
Depois da alta de mais de 50% no ano, optei por não “manchetar” uma queda de dois dias do dólar.
Como tantas outras vezes desde a moratória dos anos 80 (que não foi a última), havia um solitário bombeiro agindo numa ponta, sem outro pra desativar o curto-circuito que detonou a confusão.
O que se vendeu aos brasileiros no começo do ano passado foi que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, faria o papel de quem combate a causa (as mentiras usadas nas contas públicas e também a gastança irresponsável do dinheiro do contribuinte). Ele continua lá. Porém, esvaziadíssimo de seu papel.
Veja abaixo a triste situação do real frente às três moedas mais importantes do mundo. Fiz as contas com base nos preços agora, momento em que clico em “publicar” aqui no site.
Dólar de novo acima de R$ 4,00, alta de mais de 50% em 2015.
Euro em R$ 4,51, 40% mais caro do que no fim de 2014.
Libra (inglesa) em R$ 6,00. Em dezembro, o importador que precisasse pagar uma compra feita no Reino Unido dava, em troca de uma libra, 4 mais uns 13 centavos. Hoje, ele só faz isso se der 2 reais a mais pela mesma e fortíssima libra, que subiu mais de 48% frente ao “esfacelado” real (para usar outra expressão da mídia estrangeira).