FMI avisa emergentes sobre risco iminente de quebradeira geral

Países emergentes, preparem-se para uma nova crise de crédito.
A era do dinheiro abundante e barato no Primeiro Mundo está perto do fim.
Entre 2004 e 2014, as empresas quadruplicaram seu endividamento que, no ano passado, ultrapassava U$ 18 trilhões.
Mas estarão sujeitas a uma quebradeira geral quando a curva dos juros mudar, a menos que os governos dos emergentes adotem medidas preventivas.
O relatório semestral do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre estabilidade financeira global, divulgado hoje, dá frio na espinha.
Embora escrito em tom cauteloso, não se furta a alertar que a onda de falência empresarial, se acontecer, pode se refletir nos bancos locais, que compraram (ou “carregam”) boa parte dos títulos de tal dívida (das empresas). Nesse caso o mundo viveria algo muito parecido com “o círculo vicioso de 2008 e 2009” (quebra da Lehman Brothers, que desencadeou a pior recessão global desde a grande depressão de 1929).
A China é a preocupação número 1.
Mas Turquia, Chile e Brasil também compõem a lista dos vulneráveis.
Detalhe: há apenas alguns dias, o Banco Central americano informou que adiou mais uma vez o aumento dos juros por causa da fraqueza da economia global – leia-se desaceleração principalmente na China, a grande alavanca do momento.
Em seguida, a presidente do mesmo Banco Central disse achar plausível que o aumento aconteça ainda este ano, isto é, nos próximos 3 meses.
O FMI lembra que as empresas que mais sofrem com a alta dos juros são as mais afetadas em tempos de lenta atividade econômica: construção, petróleo e gás.
Qualquer semelhança com a gente não é mera coincidência.
A carapuça também nos serve perfeitamente em relação a mais um aviso do Fundo: duplamente sujeitas ao risco de inadimplência estão empresas que assumiram dívida barata em moeda estrangeira, pois suas próprias moedas tendem a se desvalorizar frente ao dólar.
No Brasil, a gente tem know how desse tipo de problema.
Dever em dólar e faturar em moeda fraca é uma rota que não tem final feliz.