Alô srs. governantes! Prestem atenção nesse ranking!

Se estiver muito bem intencionado – isto é, na melhor das improváveis hipóteses – governo tem que ser muito distraído pra aumentar impostos diante do recado da população nas pesquisas de opinião.
Trimestralmente, o Ibope mede o sentimento da sociedade em relação à atitude do governo em nove tópicos.
Desde o fim do ano passado, a maior reclamação das pessoas é sobre os impostos.
Alô Planalto!
O percentual dos que reprovavam esse item aumentou de 72% em dezembro para 90% a partir de abril. E ali ficou.
Eu me atrevo a acreditar que essa insatisfação comporta não só a alta carga, mas também a bagunça tributária da qual somos reféns.
Em dezembro, saúde e segurança só perdiam para impostos. Apareciam em segundo lugar no ranking de descontentamento.
Desde abril, foram “rebaixadas” à terceira e à quinta posições. A reprovação aos juros passou a ser maior.
Dá pra acreditar?
No ano passado, 68% reprovavam os juros. A partir de abril, essa taxa subiu para 90%. (Hoje 84% reprovam a ação do governo na saúde, e 82% estão insatisfeitos com a segurança. Índices também piores, diga-se. A reprovação era de 71% em dezembro.)
Resultado: tudo se agravou. A avaliação sobre impostos e juros é que piorou muito mais.
Última, mas não menos importante observação.
Está provado também que não cola mais o ultrapassado argumento de que impostos incidentes sobre o dinheiro que transita pelos bancos (IOF ou CPMF) preservam os mais pobres.
Alô!
Se 90% reprovam os juros, não é leviandade concluir que se sentem vítimas, no mínimo, do crédito extorsivo a que estão sujeitos.