Verdade que gasolina não acompanha exterior. Lá os preços caem

A presidente Dilma disse que o governo não se baseia nos custos internacionais do petróleo para definir preços dos combustíveis. Mesmo se o barril vier a subir nos próximos meses, o Executivo não pretende “mexer nos preços”.
Acontece que o petróleo não subiu. Caiu! E não é que a gasolina volta a aumentar?
Em dezembro, o barril do tipo brent valia U$57,88, o equivalente, na época, a R$154. Agora, é negociado por U$47,9 na Ásia (R$191,5 ao dólar de hoje), onde os mercados estão abertos enquanto digito.
A queda em dólar é de 17% no ano. Mas, por causa da desvalorização cambial, o aumento, em real, é de 24%.
Já a gasolina que, segundo o IBGE, aumentou 9,6% na ponta do consumidor entre janeiro e agosto, sobe mais 6% hoje – em tese, no atacado.
A história é conhecida: 6% é o aumento imposto pela Petrobras às distribuidoras. De lá até os postos, salve-se quem puder.
O repasse não precisa ser integral, e os preços no varejo são livres. Na prática, a realidade é outra.
A gasolina é um dos produtos com preço administrado pelo governo. Adiar o aumento significava, até o ano passado, empurrar a inflação, e, portanto, preservar a imagem da presidente perante o público.
Acontece que o custo da gasolina para a Petrobras acompanha, sim, não só o preço do barril, como também o dólar.
Represada quando o petróleo subiu, a gasolina agora aumenta, apesar do barril muito barato.
A perda de confiança na política econômica provocou aguda desvalorização do real. A prioridade passa a ser manter a Petrobras com o nariz acima d’água, tentando reduzir os danos em série que minaram a empresa ao longo dos últimos cinco anos.
E a presidente nem tchun pro que disse há apenas sete meses, em público, já depois de eleita e empossada.