Dois manifestos contra o pacote fiscal. Do PT e do PMDB.

Um momento. Será que toda essa confusão para distribuir ministérios ao PMDB em troca de um pacote capenga de “des”ajuste fiscal terá sido à toa?
Não posso crer que o Planalto tenha esquecido de encarregar alguém de anotar, dia sim outro também, para onde rumam os votos de suas excelências. Na Câmara e no Senado.
Há três dias a Fundação oficial do PT lançou documento se posicionando contra as medidas propostas pela dupla Joaquim Levy e Nelson Barbosa (Fazenda e Planejamento).
A Fundação Perseu Abramo causou alvoroço ao escrever que “o ajuste fiscal em curso (…) promove a deterioração das contas públicas”.
(Então não é ajuste, diria eu. Ou ajusta ou desajusta. Mas deixa pra lá.)
A Fundação, criada em 1996 e sustentada com dinheiro do Fundo Partidário do próprio PT, faz referências a “chantagens e ultimatos”. E afirma: “Mais grave é a regressão no emprego, salários, no poder aquisitivo das famílias, nas políticas sociais.”
Pois vejam só como esse mundo é pequeno. Vinte e dois deputados do PMDB, usando palavras até mais amenas, soltam outro documento em que parecem estar tão furiosos com o governo (do PT) quanto a a Fundação (do PT).
Os parlamentares dizem que não concordam com esse “toma lá dá cá”.
A julgar pela temperatura desta noite, nada indica que os 22 peemedebistas pretendem votar a favor das medidas, especialmente da CPMF.
“O governo, sem apontar um caminho claro, rende-se a um jogo político pautado pela pressão por cargos, num leilão sem qualquer respaldo em projetos ou propostas, sem conseguir apontar um horizonte de esperança para o povo brasileiro”, diz o manifesto. Tá difícil.