Vergonha. Derrota. Humilhação.

Efeito reforma ministerial: “éramos 149, somos 42”
O apoio dos deputados ao governo encolheu dramaticamente depois do troca troca de ministros.
O líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ) saiu prestigiadíssimo do loteamento de cargos anunciado sexta pela presidente Dilma Rousseff.
“Trata-se de articulação política que respeita os partidos que fizeram parte da coalizão que me elegeu e que têm direito e dever de governar comigo”, disse ela.
Também mencionados pela presidente, na mesma solenidade: “coalizão de governo mais equilibrada”, ou fortalecimento de “relações com os partidos e com os parlamentares”.
Passados cinco dias, o governo vê a coalizão se esfacelar e as relações com partidos e parlamentares se enfraquecerem.
E só vê a situação piorar.
O bloco do deputado Picciani reunia 149 parlamentares de 6 partidos até a semana passada.
Hoje perdeu formalmente 82 deputados de 4 partidos, que formaram um bloco com direito a um líder para chamar de seu e somente seu.
Todos reclamam dos recentes arranjos governamentais.
149 menos 82 = 67
Ainda sobrou bastante gente?
Na na ni na não.
Também hoje, 25 deputados do próprio PMDB entregaram ao vice-presidente Michel Temer, do mesmo partido, um manifesto contra o que chamaram de barganha política na distribuição de cargos federais.
Eles formam a ala que se diz independente dentro do PMDB, e dizem que seus votos em plenário jamais terão compromisso com um governo que faz “escolhas erradas”.
Também avisaram que estão fora.
67 – 25 = 42.
Fala sério, é coisa de gênio.
Ou de um deputado que preside a Câmara e que é do mesmo PMDB. Eduardo Cunha (RJ), cujas contas na Suíça estão bloqueadas por suspeita de roubo de dinheiro público, vem sendo apontado como o responsável pela falta de quorum que, por dois dias seguidos, impediu a votação que tanto interessa à presidente.
São decisões sobre os vetos dela, Dilma Rousseff, a medidas antes aprovadas pelo próprio Congresso.
Outra coisa de gênio. Um trabalho de cão para convencer o Congresso a desaprovar medidas por ele mesmo aprovadas antes.
E ainda esperavam que as mágicas aritméticas do ano passado não fossem rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União?
Dilma Rousseff passa pra história. Só ela e Getulio Vargas (em 1937, isto é, há 78 anos) viram suas contas rejeitadas pelo TCU.
Vergonha. Derrota. Humilhação.