Perdidos e pessimistas

“Nunca vimos tantos clientes que simplesmente não têm ideia do que está acontecendo nos mercados.”

Soa familiar?

Pois em momento de tanta volatilidade por aqui, com o dólar caindo frente ao real até em dia de rebaixamento, o diagnóstico acima serviria como uma luva para o Brasil.

Dólar em baixa foi manchete ontem, quinta, quando uma segunda agência de risco, a Fitch, externou um sem número de preocupações com a política econômica de Dilma e baixou nossa nota, embora tenha mantido seu aval de que o país segue bom pagador.

Voltando à frase entre aspas, acima: não é sobre o Brasil.

Trata-se de um fenômeno internacional.

O banco que põe os pingos nos is é o Credit Suisse.

Ou, como diz o jornalista Graeme Warden, de The Guardian (em inglês), eis uma admissão.

São tantos os sinais contraditórios sobre a economia global, que o investidor, diz o banco, “parece muito mais focado nos riscos, que estão anormalmente altos, do que nos juros, que também estão altos”.

De fato, até o Banco Central americano, para ficar só nesse exemplo, está perdidaço.

Avisou há tempos que a era dos juros negativos, que já dura 10 anos, está perto do fim. O  primeiro aumento desde 2006 pode acontecer a qualquer momento. Só que nem a maior autoridade monetária do mundo consegue se decidir.

Porque as estatísticas ora mostram recuperação, ora nem tanto.

Mais que isso. O fator China é a novidade do século. A cada sopro de lá, o globo inteiro treme. Se os chineses comprarem menos minério de ferro (o que já está acontecendo), desemprego, salário, renda – tudo cai, no mundo todo.

Não à toa, a mesma agência Fitch, assim como seus pares, martela: a recessão no Brasil vai ser mais longa e mais funda.

Fundo Monetário Internacional e demais agências internacionais têm insistido que o problema aqui se agrava por causa da crise política.

A gente mal vê o que chegou primeiro, se as mentiras de Dilma sobre as contas da União, ou se a despencada da aprovação da presidente.

Desconfio que a inflação, causada por tanta e tão desmedida roubalheira mais os falsos  superávits fiscais, esteja na raiz da confusão.

Sim, infelizmente, a biografia de Dilma Rousseff passa a ter mais um tópico: o fim do Plano Real.

Fato: a presidente se engalfinhou numa crise política como não vemos desde 1990.

Consolo: o mundo todo está tonto.