“Tecnicamente” não afeta a segurança

Nem dessa fraude o Brasil escapou. Há 17.057 picapes Amarok a diesel rodando no país com o software que deturpa resultados dos testes de emissão de gases poluentes. São modelos 2011 e 2012.

Que, até anteontem, estavam cotados entre R$ 75 mil e R$ 96 mil no mercado de carros usados em São Paulo.
Será feito recall. Ainda não há data para a chamada.
No dia 18 de setembro, a agência americana de fiscalização do meio ambiente anunciou que processaria a Volks.
Consumidores e governos vinham sendo enganados há tempos pela maior indústria automobilística do mundo.
Os carros (e, soube-se depois, também os veículos comerciais) saíam de fábrica com equipamento que poluía pouco, mas só em ambiente de laboratório.
Quando em movimento, isto é, nas ruas e estradas, a poluição despejada no ar era até 40 vezes pior. Muito acima dos limites acordados com os fiscais.

Hoje, 33 dias depois, a Volks anunciou que uma parte dos 11 milhões de carros “premiados” vieram para o Brasil.
Uma frase do comunicado me chamou a atenção.

Diz o seguinte:  “Tecnicamente, a aplicação desse software não afeta a segurança nem a funcionalidade do veículo”.
Permitem-me perguntar se, por acaso, sem ser tecnicamente, a segurança e/ou funcionalidade são “afetadas”?
Em caso de resposta positiva, perguntaria eu ainda: afetadas como?
(A propósito: não faço a menor ideia do que seja “aplicação” de software; suponho que se refiram ao uso dele, mas nunca se sabe.)