De barganhas medíocres e vidas ceifadas

Tanta coisa crucial por ser feita para preservar vidas estupidamente ceifadas, e a gente aqui, há meses, discutindo a sobrevida política do sr. Eduardo Cunha. Ou a probabilidade de a presidente da República ser impedida de terminar o mandato.


Neste fim de semana, uma súbita ventania com rajadas de mais de 90 km por hora matou um menino de um ano no litoral de São Paulo durante seu primeiro passeio de bicicleta com o pai.
O que me aflige: o Brasil se arrasta em reformas ministeriais e barganhas sofríveis de distribuição de cargos, e segue órfão do que importa.
Não se estudam nem se enfrentam políticas de estado nevrálgicas para a segurança da sociedade.
As novas gerações estão ao léu.
Sujeitas a intempéries como a que matou o menino.
Ou a desastres ambientais como o que varreu do mapa cidades históricas de Minas Gerais.
Massacres nas estradas, assaltos nas ruas de cidades grandes e pequenas.
É mentira que os números estão melhorando.
Governos, inclusive estaduais e municipais – salvo as possíveis exceções que, de tão raras, desconhecemos- nada fazem de fato em direção ao progresso.
Meu coração apertou quando li a história da tragédia familiar em São Vicente.
As consequências da poluição e do aquecimento global estão fartamente documentadas pela ciência.
Há tempos, o Banco Central da Inglaterra (pra ficar só nesse exemplo) faz alertas públicos sobre o risco que correm as seguradoras diante de mega desastres ambientais.
Como sabemos, Banco Central não entende de clima. Existe para zelar pela estabilidade da moeda e do sistema financeiro. Os avisos têm a intenção de evitar outro crash de irresponsabilidade como o que aconteceu em 2008.
Sete anos depois, o mundo não se recuperou da avidez dos bancos em emprestar muito além do que podiam para a compra de casa própria nos Estados Unidos.
Ora bolas, se até um banco central sabe que haverá problemas sistêmicos se nada for feito para garantir a saúde das companhias de seguro, o que falta para que as sociedades civis passem a encarar de frente o assunto?
Só nos últimos dois meses, assistimos a vários eventos escancarando o problema do ar que respiramos.
Houve a revelação da repugnante fraude da gigante mundial Volkswagen, que há anos mentia despudoradamente e jogava quantidades impensáveis de veneno no ar que o mundo respira.
A reação dos governos europeus, muito mais dependentes da empresa do que o americano (que descobriu a mentira), chamou atenção. Por ter sido pífia.
Há menos de uma semana, o instituto que avisou o governo americano sobre o crime da Volks emitiu um relatório sobre quem?
Sobre o descaso do Brasil com a mesma indústria automotiva em geral. Estamos muito atrás de mercados tão grandes quanto o nosso em matéria de eficiência energética.
Anteontem, segunda-feira, dia 16, foi a vez das companhias aéreas internacionais. O mesmo instituto, que se chama Conselho Internacional de Transporte Limpo, pôs a boca no mundo contra a poluição emitida pelos jatos internacionais.
Os números pioraram muito de um ano para cá, diz o relatório. E aumentaram as diferenças de quantidade de veneno emitido pelas empresas responsáveis.
Entre as piores, estão colossos como a British Airways e a Lufthansa, responsáveis por emitir 50% a mais de gases poluentes do que companhias com frotas mais novas.
“As forças de mercado e a busca por combustível eficiente não andam alinhados no setor, e isso mostra a necessidade de políticas para reduzir as emissões”, diz um dos autores do documento diz um dos autores do documento.

O menino de um ano que foi atingido por um pedaço de madeira no sábado quando passeava de bicicleta, foi foi vítima de rajadas de vento de mais de 90 km por hora.
São abundantes as estatísticas sobre fatalidades como essa.
E também sobre as mortes prematuras causadas pelos efeitos da poluição a médio prazo na saúde geral da humanidade.
O que mais precisa acontecer para que o aquecimento global seja levado a sério?