“Pode isso, vovó?”

Meu neto, que ainda não tem um ano, acha muito engraçado quando ponho a mão no rosto e digo, espantada: “pode isso, vovó? Não pode!” Lendo as manchetes dos últimos dias, me ocorre a mesma e insistente pergunta.

Governos (cada vez mais quebrados) alegam que não têm dinheiro para pagar salários.

Nem para comprar remédios.

Tampouco macas.

Com o mesmo argumento, aumentam impostos a torto e a direito. Pode atrasar salário? Pode aumentar imposto?

E tungar salário não só através da inflação, mas também aumentando outro imposto, aquele que é retido na fonte: isso pode?

Pode o vírus zika se espraiar, punindo mães e bebês ainda no útero pro resto da vida?

Pode o juro do cartão de crédito ultrapassar 430%?

E o que começamos a saber sobre o edifício Solaris, no Guarujá, litoral de São Paulo – pode?

Cerca de 3 mil pessoas levaram o cano e perderam o imóvel pago (ou parcialmente pago), enquanto outras não só receberam a chave, como fizeram reforma milionária, com direito a elevador privativo.

Tríplex.

Também não pode destruir uma empresa do tamanho da Petrobras, pode?

Mas deixar o dinheiro público sair pelo ralo anos a fio, direto pro bolso dos ladrões, e depois dizer que o governo quebrou… Bem, isso não pode mesmo!

Que a gente não perca a capacidade de se espantar, já que os governantes continuam a fingir que não é com eles.

Dependemos cada vez mais da nossa própria capacidade de indignação.

E da admiração e respeito pelos bravos brasileiros que seguem investigando e combatendo a ladroagem, esteja ela escondida no porão ou no topo do edifício.