Não há precedentes de final feliz

A maior parte do mundo luta contra a deflação.
A começar do petróleo, mas passando também por minério de ferro, níquel, cobre, zinco e produtos agrícolas: os preços das commodities, isto é, de matérias-primas em geral, despencam.
Pela tão simples quanto antiga razão de mercado: demanda fraca, especialmente da China.
Na Europa, nos Estados Unidos e em boa parte da Ásia, a briga é pra conseguir “fazer” uma inflação de 2%.
Essa é a meta perseguida por eles.
Venezuela, África do Sul e, claro, o Brasil, são algumas das exceções.
Com o detalhe de que a África do Sul aumentou duas vezes em dois meses as taxas de juros para segurar o ímpeto por empréstimos ou compras.
Hoje, China e Japão, cada um a seu modo, voltaram a surpreender o mundo com medidas que vão injetar muito dinheiro para estimular empresas e consumidores a investirem e a gastarem mais.
Alguma coisa está muito errada quando um país na nossa situação – inflacionária e ao mesmo tempo recessiva – caminha em direções opostas às do resto do mundo.
São de arrepiar as intenções anunciadas ontem na tão ‘manchetada’ reunião do Conselhão reinventado por Dilma Rousseff.
De novo, ela quer distribuir subsídios com dinheiro público. Dos bancos públicos.
É a mesma receita do primeiro mandato dela, e que já pôs por água abaixo o Plano Real.
A fórmula que desafia a aritmética.
Não há precedentes de país com moeda fraca que tenha aumentado seu déficit (leia-se dívida pública) com final feliz.
Rombos gigantes nas contas federais são luxos exclusivos do clube de nações com moedas sólidas.
De países que não deixam dúvida sobre sua segurança jurídica e que honram seus pagamentos.
O Brasil se esforça por esfacelar esse importante ativo que estávamos conquistando, a confiança do mundo.
Tudo errado. Com uma persistência desconcertante.