Ouro e yen, os mais procurados em meio ao pânico dos mercados

O medo de uma quebradeira entre empresas de energia (leia-se o barril do petróleo, de novo, em torno de US$ 30, dando enormes prejuízos) e de commodities (minério de ferro, cobre, zinco, níquel – todos em baixa) atemoriza também quem tem ações de bancos.

Os mercados mundiais têm mais um dia de trauma, medo e pânico

– mesmo fechando os pregões com quedas menores do que as de ontem.
A pergunta que prevalece é sobre a capacidade de pagamento dessas empresas, que têm importante participação nas carteiras de crédito bancárias. E se elas não honrarem as dívidas?
Bem, essa insegurança já reduziu em mais de 25% só este ano as ações dos bancos na Europa.
Pelo segundo dia, o dono das manchetes hoje foi o não pouco importante Deutsche Bank.
A ponto de o ministro das finanças da Alemanha dizer que confia na instituição – o que, compreensivelmente, despertou estranheza e, em alguns, mais medo: o ministro precisa garantir que o banco é sólido?
Outro destaque do dia: pela primeira vez, um título de governo de 10 anos foi negociado a juros negativos.
Sim, a partir de hoje, o governo japonês cobra para ser o guardião do dinheiro do investidor por uma década.
No vencimento, devolve menos dinheiro do que a quantidade recebida.
Até agora, isso acontecia apenas em papéis de curto prazo – da Alemanha e do próprio Japão.
Mas por 10 anos?
O movimento impressionou os “traders”, porque significa que a era dos juros muito baixos vai perdurar. O que acontece em tempos de ritmo bem lento da economia global. A consequência é um abalo importante nos balanços dos bancos, que depositam suas reservas nos bancos centrais, e que vivem de juros para girar dinheiro e, eventualmente, lucrar.
Eu mencionei o contraste dos juros de títulos da dívida entre Japão e outros países também do primeiro mundo? Faço agora: no dia em que os papéis de 10 anos passaram a ter rendimento negativo no Japão, a Grécia pagou 10% para encontrar quem fique com seus papéis pelo mesmo prazo. (Ameaçada por novo default, a Grécia viu esses juros aumentarem 25% só no último mês. Definitivamente, não é pouco. E ilustra o medo dos mercados em geral, dada a rápida contaminação desse tipo de evento.)
A falta de confiança, enfim, custa caro, como tão bem sabemos por aqui.
Por exemplo: a fama de bom pagador do Japão fortalece o yen frente ao dólar (para desânimo dos exportadores japoneses).
Entre os ativos seguros desesperadamente caçados pelo investidor, está também o ouro (num mercado menos nervoso hoje do que ontem), e que é negociado em torno de US$ 1.200 (a onça). O preço do ouro volta, assim, ao pico registrado há 8 meses.
Pobre Janet Yellen, a presidente do Banco Central americano. Seu depoimento semestral ao congresso americano está marcado para amanhã, em meio a toda essa turbulência.
Há grande ansiedade sobre o depoimento dela, e também sobre a reabertura, na segunda-feira, dos mercados na China, fechados durante toda a semana por causa do longo feriado de ano novo deles.
O nosso novo ano, que começou com muito pessimismo, ainda promete fortes e voláteis emoções. E não será brincadeira.