É por essas e por outras que Brasil segue aleijado

De governo em governo, de intervenção em intervenção, os medos de uma nova crise financeira global, que volta e meia afundam os mercados, vão sendo adiados.
Hoje foi a vez da China.
Depois de seguidos desastres na bolsa de Shanghai e de bruscas desvalorizações da moeda, o chefão regulador das finanças foi demitido neste sábado.
É uma medida que tem tudo para ser celebrada na segunda-feira, embora já fosse mais ou menos esperada.
Alguém já disse que, depois da monumental recessão deflagrada em 2008, o mundo ficou viciado em bancos centrais. Leia-se em intervenções oficiais salvadoras de uma, às vezes de quase todas as pátrias.
Não faz nem um mês, o Japão estreou no território dos juros negativos para tentar sair de uma estagnação de décadas.
Por seu ineditismo, foi uma tremenda surpresa que deu um bom gás aos mercados.
(Porque significa a injeção de dinheiro líquido na atividade econômica. É um estímulo para que todos, empresas e famílias, peguem dinheiro emprestado e saiam gastando. Se funcionar, os efeitos no comércio internacional são óbvios.)
Em dezembro, Estados Unidos aumentaram pela primeira vez em quase 10 anos seus juros, sob forte tiroteio internacional. Depois do terremoto que se abateu sobre os valores dos ativos no início de 2016, quando se multiplicaram os sinais de fraqueza mundial, também os americanos já deram sinais de que serão extra-prudentes num eventual novo aumento de juros. (Pelas mesmas razões dos japoneses mencionadas no parágrafo anterior.)
E na Europa, para desfazer os cada vez mais convincentes boatos de que os bancos do continente estavam sob risco de quebradeira, o Banco Central que responde pelos 19 países do euro também se pronunciou na mesma direção.
E deu pistas idênticas às de seus colegas americanos e orientais: fará tudo o que for necessário para evitar o quê mesmo? Ela, a deflação, que a gente mal consegue imaginar o que seja ou como funcione.
É por essas e por outras que os horrorosos resultados da política econômica de Dilma vão sendo camuflados.
Enquanto os governos das moedas fortes não fecharem as comportas da inundação de dinheiro estrangeiro, vai se adiando também por aqui a crise do balanço de pagamentos, ou das contas externas.
A dívida pública explode, mas o Brasil desfruta de forte colchão de dólares para honrar seus compromissos financeiros no exterior.
Não está sujeito, assim, à síndrome que hoje encurrala a Venezuela, por exemplo.
Como sempre avisou o ex-ministro Mário Henrique Simonsen: a inflação aleija, o balanço de pagamentos mata.
O Brasil de Dilma segue aleijado.
Por ora.