É tarde pra mudar o chefe da Polícia Federal

O troca troca na cúpula da justiça federal só aumenta o desgaste de um governo fraco.
A presidente trocou o ministro da Justiça, o controlador-geral (que responde por acordos de leniência firmados com as empresas corruptoras), e vai trocar também o chefe da Polícia Federal.  
O motivo é conhecido. As investigações da Lava-Jato e da Zelotes (que apura compra de perdões de dívida tributária e venda de medidas provisórias) se aproximam da família Lula da Silva.
O ex-presidente, que nunca foi muito amigo do agora ex-ministro José Eduardo Cardozo, elevou ao grau máximo as pressões junto à presidente.
Conseguiu mexer na cúpula do executivo.
Faltou combinar com:
1) a corporação. A equipe da PF já a par dos dois braços de corrupção do governo é enorme.
2) o poder judiciário. A justiça do Paraná, magistrado Sérgio Moro à frente, vai deixar barato? Pra não falar do Tribunal de Contas, do Tribunal Superior Eleitoral nem do Supremo.
3) os promotores. O Ministério Público, cada vez mais forte institucionalmente, também é “imexível”.
4) os governos dos Estados Unidos, da Suíça, da Grã-Bretanha, da Alemanha e de outros PIBs menores. Os acordos internacionais de cooperação e troca de dados vieram pra ficar.
O ex-presidente Lula, que tanto gosta de futebol, sabe porque o idoso José Maria Marin, ex-governador de São Paulo e cartola de longa data, foi preso na Suíça e extraditado para os Estados Unidos.
Por causa dos acordos entre os países, que tornaram mais difícil a brincadeira da corrupção e da lavagem de dinheiro.
Ok, todos estamos cientes de que as mudanças no primeiro escalão foram tomadas em desespero de causa.
Medo, medo, medo.
Mas se trata de trabalho perdido.
É a globalização, estúpido.