A torcida pelo impeachment de Dilma

O jornalismo põe a gente em contato com os muito ricos e com os muito pobres.

E é muito raro percebermos, como agora, o mesmo clamor tanto na base quanto na ponta da pirâmide.  

É sinal de notícia no ar. Algo muito importante está acontecendo na sociedade. 

Em meus encontros Brasil afora com empresários dos mais variados setores, inclusive do que menos sofre com a recessão,  o agribusiness, a pergunta que ouço cada vez com mais insistência e interesse é sobre o impeachment da presidente.

Na  semana passada, durante evento em hotel 5 estrelas na Barra da Tijuca, as pessoas mal queriam saber de outro assunto.
Mas poucos dias depois, fiquei surpresa ao ouvir uma assisten de portaria muito humilde de um prédio residencial também do Rio de Janeiro dizer a um colega: “tem que tirar essa mulher”. Referia-se a Dilma.

A trabalhadora tem carteira assinada. Não é líder comunitária, tampouco toma conhecimento de algum protesto. Só reclama das manifestações porque lhe atrasam a vida, que depende do sempre precário transporte coletivo. Passa cerca de seis horas por dia em ônibus e trens entre o emprego e sua casa, que fica em município ao norte da capital, na região metropolitana.

Com esse perfil pobre, essa cidadã brasileira, assim como muitos dos empresários bilionários com quem tenho conversado, quer a saída da presidente da República.

O segundo termômetro que chama a atenção é a caminhada contra o vento internacional das bolsas e do dólar.

A bolsa brasileira tem alguma razão pra toda essa festa? O real voltou a ser moeda forte?

Não e não.

No exterior, tanto as bolsas quanto o dólar vêm andando de lado nos últimos dias.

Mas o Brasil, em meio à pior recessão de sua história (videm o encolhimento oficial de 3,8% do PIB no ano passado divulgado hoje), vê os ativos se valorizarem.

É a expectativa da sociedade de que as delações (de senador e de grandes empreiteiros), desta vez, vão pavimentar o caminho para o impedimento de Dilma Rousseff, o que abreviaria o período de inação governamental.

O País voltaria mais rápido à rota de crescimento.

Os mercados estão tirando conclusões precipitadas? Sim.

Mas são, sem dúvida, um importante medidor da alta temperatura política em que vivemos.  

Em momentos assim, nunca é demais reforçar: cuidado com seus investimentos, se é que você ainda os tem.

Mais do que nunca, a temporada é para quem tem o sangue tão frio quanto os profissionais de cassino.

O jogo vai longe e, independente de seu desfecho, promete ser cada vez mais emocionante.