“A gente que não tem conhecimento não consegue nada.”

Maria Alice é faxineira do banheiro no desembarque do aeroporto de Congonhas.
Há 2 anos, perdeu o filho, trabalhador e universitário , atropelado por um ônibus na cidade de São Paulo.
O rapaz tinha dinheiro no Fundo de Garantia, o FGTS, e numa conta da Caixa, que ele usava para pagar a faculdade.
Em 2014, Maria Alice, no fundo do poço de sua dor, me abordou e pediu que eu falasse na TV sobre a violência no trânsito. E me contou seu drama.
Sábado, dia 5 de março, tive a felicidade de reencontrá-la. Na mesma função, mesmo local.
Falamos rapidamente sobre o susto da véspera, com a operação Lava Jato na casa de Lula.
As pessoas só falavam nisso nos aeroportos em que estive. Algumas estavam visivelmente exaltadas.
Maria Alice, porém, tinha outro comentário a fazer sobre corrupção e o tráfico de influência entre governantes e setor privado.
“Pois é, a gente que não tem conhecimento dentro do governo e que não pode pagar advogado, não consegue nem sacar um dinheiro do banco. No dia 4 de abril, faz 2 anos que perdi meu filho. Até hoje não consegui encerrar as duas contas dele!”
Ela esteve na defensoria pública, na Praça da Sé, um sem número de vezes.
Neste momento, está à espera da assinatura de um juiz (creio que se trata de um alvará) para sacar um dinheiro que, por uma tragédia, é legitimamente dela.
A população assiste aos espetáculos sobre os escândalos de corrupção e se sente mais e mais injustiçada.
Para quem conhece as pessoas certas, todas as portas se abrem.
Não é o caso da faxineira de Congonhas.