Sérgio Moro não está sozinho

Posso falar? Não adianta execrar Sergio Moro, o juiz federal duríssimo no comando da força tarefa da Lava Jato.
Um empresário acaba de perder direito à prisão domiciliar por decisão de um desembargador federal de onde mesmo? Da segunda região, a saber: Rio de Janeiro e Espírito Santo. 
Um dos argumentos do desembargador: gravidade dos delitos cometidos.
Outro? Necessário que o corruptor volte pra cadeia “para garantir a ordem pública”.
Ontem, foi a vez do Ministério Público de São Paulo (em investigação totalmente independente da lava jato do Paraná) denunciar o ex-presidente Lula à justiça.

O MP de São Paulo investiga o recebimento de propina através do apartamento de Guarujá, litoral de São Paulo, que Lula diz não ser dele.
Ora, é só a equipe do Paraná (justiça, procuradoria e polícia federal, agora acompanhadas pela receita federal) que vê delitos graves?
Não, né?
Eu não gosto da idolatria em torno de uma personalidade (caso de Moro).
Também discordo da tese que parece começar a prevalecer em algumas grandes mídias, de que a força tarefa incendiou o sectarismo ao determinar a condução coercitiva de Lula na sexta-feira.
Teriam os investigadores dado a Lula o papel de vítima?
Estaria aberto o caminho para um clima de fla-flu na sociedade civil?
Não sabemos. Nem imaginamos quais as suspeitas ou denúncias de fato que já existem sobre a família (boa parte da família, diga-se) Lula da Silva.

O sagrado direito à defesa 

Também não sabemos ainda qual será a defesa dos principais investigados. Muitos deles ainda não são sequer réus.
As evidências divulgadas são assombrosas.
Mas até que qualquer acusado se defenda, e até que a justiça, depois de examinar uma coletânea enorme (de tamanho impensável), dos autos, provas e também da defesa, nós, o público só temos elementos para julgá-los politicamente.
Lógico que a sociedade já está tomando partido.
No domingo, veremos a força da indignação popular contra o que já se sabe, e também o apoio político que os investigados (leia-se Lula, PT e, portanto, Dilma) têm da sociedade.