Guerra de cacique graúdo

O clamor das ruas, leia-se a pressão da opinião pública, promete ser o fiel da balança na votação do impeachment pelo plenário da Câmara.
Foi assim no impeachment de Collor.
Em 1992, também ano de eleição municipal, as bases exigiram, os parlamentares acataram.
Daqui a menos de seis meses, a população vai eleger os políticos mais próximos da comunidade.
Nenhum congressista pode se dar ao luxo de ignorar o calendário eleitoral. As pesquisas de opinião são muito ruins para todos, e indicam um outubro difícil nas urnas.
Pressão popular impulsionada pela pior recessão da história, processos criminais se aproximando rapidamente dos escalões mais altos da República, discussões jurídicas sem fim.
Noves fora tantos fatores tão áridos, porém, o que a gente vai mesmo descobrir nos próximos dias é quem se deu melhor na pesada articulação de bastidores: se o vice-presidente Michel Temer, ou se o ex-presidente Lula.
A briga está deflagrada entre dois dos mais experientes e espertos personagens da cena política nacional deste começo do século XXI.
Experientes, espertos, e sobre os quais pairam dúvidas que podem ser classificadas genericamente como legais e processuais.
Temer tem uma carreira mais longa no Legislativo.
Lula tem a caneta de Dilma na mão.
Os dois disputam desesperadamente o sim e o não do baixo clero.
Espera-se que as manifestações sejam pacíficas.
Porque, entre os políticos, vai ser uma semana sangrenta.