“O PT é uma *! Mas o PMDB é uma * maior ainda!”

Urca, bairro do Rio de Janeiro conhecido como bucólico, pertinho do Pão de Açúcar, domingo, 17 de abril, 10:40.
Nenhum carro entra, nenhum sai.
E se alguém precisar chamar uma ambulância?
“Morre, senhora.”
Dentro dos carros parados ao sol, mães com crianças sem saber o que fazer.

(Vide fotos abaixo.)
Tentei apurar o que acontecera junto aos motoristas de ônibus, pedestres etc.
Diziam que um ônibus caiu num dos buracos abertos no meio de uma rua pouco larga, com carros estacionados dos dois lados.
A via ficou interditada.
Esperava-se o reboque.
Enquanto isso, o acesso à Urca por 4 rodas estava completamente impedido.
(Os motoqueiros agradeciam aos céus ao constatar que conseguiriam avançar.)
Como quase sempre neste tipo de evento, surgem rapidamente os líderes comunitários e ativistas.
Ou os motoristas compreensivelmente muito nervosos, que têm várias sugestões para liberar o trânsito.
“Mas os guardas municipais ficam lá trás, esperando o reboque, e aqui nada fazem! É só inverter a mão da outra rua, deixar escoar e depois inverter de novo!”
Muita gente nervosa, outros pingando de suor, a maioria resignada e silenciosa.
Carros desligados, portas abertas.
Moradores relatam que os buracos são antigos e estão em obras perenes.
“Sabe quantas vezes a Cedae (água e esgoto) já arrebentou só este trecho só este ano? Seis! Seis vezes. E está sempre assim.”
Não sei quantas vezes as máquinas perfuraram o solo, mas é fato que poucos se lembram do trecho da única rua que dá acesso por carro ao bairro, e que se chama Ramon Franco, livre de cavaletes e telas de alertas para “desnível” ou algo semelhante.
Há também buracos sem aviso, claro.
Mas quem bem resumiu o sentimento de uma fatia importante da população antes da votação do impeachment de uma presidente do PT, foi o cidadão que proferiu, em tom muito alto e no meio da rua, a frase que dá título a este texto.

Disse mais: “O Pezão (governador), o PMDB, é isso que a gente vê. Pior ainda que o PT!”

O Rio de Janeiro, salários e aposentadorias pagos com atrasos inomináveis, virtualmente quebrado, é talvez o estado mais prejudicado pela pior

recessão de nossa história. É a sede da Petrobras, embrião da Lava Jato. Afetado tremendamente pela abrupta queda da receita com os royalties da exploração de petróleo, tão alardeados e festejados antes e durante as comemorações do pré-sal, ainda no governo Lula.
O morador que falava alto e muito gesticulava não explicitou que não põe fé em eventual governo Temer, do mesmo PMDB, caso o impeachment seja aprovado hoje à noite.
As pesquisas nacionais de opinião, porém, confirmam a desilusão ampla e geral com as lideranças políticas que o morador expressou diante da interdição total de um bairro.
Terra sem dono. Sem líderes.
Com ou sem impeachment, o Brasil tem dias, meses, muito difíceis pela frente.

P.s.: lá pras 11:00, o trânsito voltou a escoar. Mas os buracos continuam lá.

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