Superávit primário. De quadrilhas

Outra sobre o day after: muito se fala sobre a ortodoxia na política econômica a ser seguida pelo já presidente na prática, o vice Michel Temer.
Mais ainda se fala sobre reforma da previdência, leia-se aumento da idade mínima para a aposentadoria.
Primeiro: quem vai manter no mercado de trabalho os mais velhos, com tanto jovem desempregado e à procura de salários menores?
Se em tempos de pujante crescimento os trabalhadores sêniores já eram virtualmente expulsos da atividade econômica, desnecessário dizer que, na pior recessão da história, isso só piorou e vai continuar a piorar.
Segundo: é evidentemente necessário primeiro tapar o ralo da ladroagem, para depois conhecer a real situação das contas do governo. Só assim será possível conhecer a real situação das contas do governo. E então, caso ainda haja buracos, será aceitável usar o argumento da via ortodoxa.
Me poupe.
Sentindo-me pra lá de repetitiva, lembro que o alegado déficit público equivale apenas à metade do valor que a ONU estima seja surrupiado todo ano do contribuinte.
O procurador-chefe da força tarefa da Lava Jato vive mencionando o número: são R$ 200 bilhões por ano pros ladrões, e o petrolão é só a primeira amostra.
Sem ingenuidade, e mesmo levando em conta a manchada biografia de tantos que compõem a nova “coalizão”, não dá para engolir a conversa de cortes de gastos em nome da contenção do déficit.
A não ser, claro, o corte do cabide de empregos, do desperdício com o inchaço da máquina, e das quadrilhas que tomaram o poder e seguem roubando até dentro da cadeia (claro, os contatos estão soltos e empregados!)
O primeiro gesto de um novo presidente da República que deseje reconquistar um mínimo de confiança tem que ser nessa direção.
Não me venham com sacrifício a quem pagou INSS a vida toda.
Ou o dinheiro recolhido ao INSS não foi nem continua sendo roubado?