O silêncio de Temer e de Alckmin

Começa mal.
É um espanto o silêncio do virtual presidente Michel Temer sobre a ladroagem que impera no setor público. 
Em meio ao maior escândalo de corrupção da história, que custou o emprego da sra. Dilma Rousseff, o eleitor espera e merece uma palavra sobre o fechamento das comportas públicas às quadrilhas infiltradas em todas as instâncias oficiais.
Está pra lá de comprovado que a causa número 1 do déficit público é o ralo por onde se esvai o imposto desembolsado a duras penas por
uma sociedade já punida pelo que chamo de maldição dos 10%.
10% de desemprego, 10% de inflação.
10 milhões de desempregados na pior recessão de todos os tempos.
Ora bolas, qual foi a informação mais recente que tivemos sobre o pensamento de Henrique Meirelles, hoje o nome mais provável para o Ministério da Fazenda?
Ele acha que o brasileiro paga pouco imposto.
Outra ideia que vem se sedimentando: o brasileiro precisa se aposentar mais tarde, recebendo menos dinheiro por isso.
A reforma da previdência cola porque está na moda no mundo todo.
Sim, é fato que a indústria do bem estar social se distraiu dos progressos da ciência e não se preparou para o fantástico aumento da longevidade.
O Estado descobriu que os tributos pagos pela população economicamente ativa não cobrem as despesas com os mais velhos que deixaram o mercado de trabalho e foram descansar às expensas governamentais.
Só que a gente tem uma jabuticaba no meio do caminho.
São as organizações criminosas que seguem drenando o dinheiro de todos.
Dos inativos, das crianças, dos muito pobres.
É o que a Lava Jato, felizmente, escancarou.
Não haverá imposto que chegue.
Não adianta determinar em 100 anos a idade mínima para a aposentadoria.
Quanto mais houver em caixa, maior será a roubalheira – e, portanto, o déficit.
Sim, sinto-me repetitiva.
Mas é incrível que, com um gabinete presidencial no forno, nenhuma palavra se diga sobre a prioridade zero, o mínimo necessário para que o Brasil comece a voltar à rota do crescimento e da credibilidade doméstica e internacional.
O Parlamento que votou pelo impeachment de Dilma está lotado de corruptos?
Mais uma razão para que o chefe do executivo, político profissional – ele também citado em mais de uma delação premiada – dê alguma demonstração de que, ao menos, entendeu o recado das manifestações populares.
Como me disse uma vez um grande empreiteiro sobre a corrupção que então grassava no governo Collor: “a propina se prolifera com a anuência do primeiro escalão; quando o chefe não quer, fica tudo muito mais difícil”.
Enquanto isso, o que faz o partido que deveria liderar a oposição ao PT?
O governador do maior colégio eleitoral, responsável também pelo maior PIB estadual, nomeia para um cargo de confiança um dos principais implicados num dos escândalos mais escabrosos de que se tem notícia, o do roubo de dinheiro público que deveria ser gasto com merenda escolar.
Nome da legenda: PSDB.
Lembra-me a velha frase de nossas mães sobre o exemplo – que, nesse caso, não vem de cima.
Estadão de hoje:
http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/alckmin-nomeia-nosso-homem-da-alba-branca-para-arquivo-publico