Da capital do abacaxi à Lava Jato

É uma pena que os inquéritos no Supremo Tribunal Federal demorem tanto.
O mais antigo a que responde o senador Romero Jucá é de 2004, e envolve obras no município de Cantá, em Roraima.
Obras erguidas através de convênios com órgãos federais entre 1998 e 2002.
Conhecida como a capital do abacaxi, Cantá tem menos de 16 mil habitantes. Fica a 20 minutos – ou 30 km – da capital, Boa Vista.
Imagine só quando teremos a conclusão dos demais inquéritos dele e de todos os parlamentares que, por terem foro privilegiado, só podem ser investigados pelo Supremo.
Jucá é investigado pelo caso de Cantá e vários outros – menos antigos.
Tem Operação Zelotes (venda de medidas provisórias), tem suspeita de propina em Angra 3 (Eletronuclear), e de variados crimes dentro da própria Lava Jato.
Há menos de uma semana, a Procuradoria Geral pediu ao STF para abrir mais um: sobre a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.
Detalhe: o primeiro caso policial da biografia de Jucá custou a ele o cargo de ministro da Previdência do ex-presidente Lula, em 2005.
Mas não resultou em punição do Judiciário.
O senador foi acusado de levantar um empréstimo ilegal no Banco da Amazônia em benefício da própria empresa, a Frangonorte.
O crime teria acontecido há 20 anos.
Entre investigação, denúncia e julgamento, passou-se tanto tempo, que o crime prescreveu.
Em 2008, o caso foi arquivado.