“A poupança corre risco?”

A poupança e outros investimentos não correm o risco a que vocês se referem e sobre o qual tanto me perguntam. Mas… bem, aí vai minha resposta.  I’m sorry… 
Dado o mergulho vertical do Brasil rumo à pior recessão da história, causada, diga-se, por uma política econômica irresponsável (e, sabemos agora, corrupta até a raiz dos cabelos), não é surpresa que o fantasma do confisco assombre tanta gente.
A dívida pública disparou.
O déficit idem.
Empresários bilionários enfiaram no bolso uma quantia fabulosa do meu, do seu, do nosso dinheiro.
Durante anos, o governo usou nossos impostos para distribuir incríveis presentes a seus “escolhidos”, ora através de fundos de pensão, ora via BNDES e demais bancos públicos.
Claro que a moeda se desestabilizou junto com as contas da União.
Os preços se desgovernaram.
Jogou-se o Plano Real pela janela.
E o desemprego continua a bater recordes.
Diante do histórico de calotes do Brasil, como ignorar o perigo de um novo confisco?
Lamento informar que o confisco já em curso do seu dinheiro, se não vem acontecendo da maneira mais assustadora (congelamento sem direito a saque), é desumanamente traiçoeiro.
Além do imposto (que, repito, deveria ser usado para salvar vidas mas vai parar em mãos bilionárias), confisca-se também o dinheiro que é propriedade privada, inclusive o que está na sua carteira no momento.
A inflação é a forma mais antiga e cruel de confisco, pois não escolhe classe social e prejudica mais os muitos pobres.
Mas é dissimulada, e é com isso que contam os governantes irresponsáveis ao virar as costas para o controle da espiral de preços.
Confisca-se, ainda, ao decretar medidas que vão privilegiar alguns em detrimento de todos.
A indecente correção da tabela do Imposto de Renda na fonte abaixo da inflação também não tem outro nome a não ser confisco; é o salário encolhendo por decreto.
E, num exemplo não menos importante, confisca-se também ao privar as pesssoas de sua renda de subsistência. Afinal, não fossem as sandices fiscais da União, dos Estados e dos Municípios, profissionais autônomos seguiriam fazendo negócios, e a maioria dos 12 milhões de desempregados continuariam a receber seus salários.
É tudo confisco, gente.
O calote clássico e declarado sobre o qual vocês me perguntam não está no cenário nacional hoje, não.
Mas não dá pra gente baixar a guarda.