América

Eu não lamento nem um pouco que Hillary Clinton tenha perdido a presidência dos Estados Unidos.
Não acredito em nada do que ela diz.
Muito técnica, pouco sincera.


É a impressão que tenho dela desde que o marido foi presidente, e que só se fortaleceu durante a campanha.
Me lembra a boa aluna que faz direitinho a lição de casa, tira sempre nota 10, e, fora da sala de aula, se revela tudo, menos brilhante.
Acusações de corrupção à parte, fiquei muito mal impressionada com a atitude dela diante do caso Monica Lewinsky, a estagiária que virou amante do então presidente Bill Clinton.
Como uma mulher que se sujeita a isso pode presidir a maior potência do planeta?
Só por isso, ela já teria perdido meu voto.
Outro ponto contra ela: a história do servidor de e-mail usado em seu mandato de secretária de estado.
Também não pode presidir uma Nação alguém que não sabe (na melhor das hipóteses) quão importante é a criptografia para a segurança internacional nestes tempos de ataques cibernéticos.
Dito isso, fiquei chocada esta madrugada durante a divulgação dos resultados.
A opção do eleitor foi pelo candidato que se gaba de, pelo
fato de ser celebridade, poder passar a mão na vagina de quem bem entender.
Que se acha esperto por não ter pago imposto durante 20 anos, alegando que suas empresas estavam em dificuldade.
Que prega a perseguição aos imigrantes, o fechamento das fronteiras também ao comércio (já pensou o mundo sem celular?), que é próximo de Putin, outro estadista (Rússia) que desperta tudo, menos a lembrança de quem respeita os direitos civis e as liberdades individuais.
Só pra dar mais um exemplo de suas sandices: Trump afirmou que mandaria Hillary pra cadeia quando fosse eleito. Simples assim. Adeus independência do poder judiciário.
E não menos importante: é uma ameaça à liberdade de expressão, à liberdade de imprensa.
Muito se falou e escreveu nos últimos meses sobre a democracia ocidental em xeque.
Assim como no referendo popular que tirou a Grã-Bretanha da União Europeia, o eleitor americano deu uma banana para o capitalismo selvagem.
A ganância que estourou em 2008 e afundou o mundo na pior crise desde a Grande Depressão empobreceu as pessoas que vinham progredindo desde a Segunda Guerra.
Enquanto isso, os ataques terroristas se multiplicavam.
Os políticos “certinhos” privaram o eleitor de sua ascensão social. Privilegiaram a elite. Injetaram montanhas de dinheiro público na operação salvamento de grandes corporações.
Enquanto isso, quem tinha uma hipoteca quebrou.
Entre esses ‘líderes’ e os populistas da extrema direita, o eleitor resolveu que não tem nada a perder se experimentar o desconhecido.
É o que vamos ver agora.
P.s.: incrível como ninguém sabe qual é a opinião do público até a abertura das urnas. Impressionante o tamanho do silêncio da insatisfação popular.