Um apelo ao eleitor

Será que os oligarcas seguem sendo eleitos apesar disso?
Há décadas, dão de ombros para projetos de irrigação que, a despeito de fenômenos climáticos e do aquecimento global, poderiam não só ter poupado vidas, como também ter enriquecido o País, atenuando os efeitos da pior recessão de todos os tempos. 
O Nordeste está abandonado. Ineditamente seco.
A miséria piora.
A produtividade idem (notem, no vídeo da Veja, link abaixo, também as filas de caminhões – e seus motoristas – parados).
Idêntico paralelo vale para os tiroteios que vemos na cidade do Rio de Janeiro.
Ontem à noite, aconteceu mais um. Também chocante:
http://oglobo.globo.com/rio/tiroteio-perseguicao-levam-panico-ruas-do-leblon-de-ipanema-20582890
A segurança pública está ao léu.
Enquanto isso, os políticos – legitimamente eleitos – lutam desesperadamente para manter a imunidade que lhes garante o privilégio de julgamento apenas em lentas instâncias superiores.
Contam com a prescrição de seus próprios crimes.
De seus plenários, só pensam em fazer leis contra o interesse do eleitor.
Querem prender juízes e procuradores e legalizar o roubo do dinheiro dos nossos impostos, através de uma indecente anistia ao caixa 2.
O Planalto resolveu que a prioridade do Brasil é a PEC do teto dos gastos.
É fake. Uma peça de marketing, insisto.
O governo quer é usar essa emenda para mostrar algum serviço, quando sabe, tanto quanto nós, que a reforma estrutural de que o País precisa atende pelo nome de Lava Jato.
Alguém me perguntou numa das redes sociais por que eu classifico a PEC como sendo uma peça de marketing.
Explico: já temos a lei da responsabilidade fiscal que não é cumprida.
Acabamos de sair do governo Dilma, que cansou de emitir título da dívida pública para que o BNDES financiasse a roubalheira da propina a empresas escolhidas a dedo.
De nada adianta uma “reforma da Previdência” enquanto o País não reformar seu gigantesco problema de “estrutura”: o ralo pelo qual se esvai cronicamente a receita dos impostos, que deveria ser equilibrada com os gastos oficiais.
Não há corte ou limitação de gastos que se ajuste à ganância da organização criminosa que mina a receita de empresas e bancos estatais, autarquias, agências reguladoras, ministérios, secretarias estaduais, municipais e respectivos poderes executivos.
O Brasil precisa investir mais – e não menos! – em educação, saúde, segurança, irrigação, transporte.
Mas não sobra dinheiro para isso, porque se rouba a céu aberto.
Enquanto os políticos que seguem ignorando a tragédia hídrica do Nordeste ou a violência no Sudeste
continuarem a se reeleger, não vai ter jeito.
Eles continuarão a inventar leis que os protegem da mais brava força tarefa anti corrupção a que já assistimos.
E nós vamos seguir assim – aos trancos e barrancos.
A poderosa arma de cada cidadão continua sendo a urna.
Sem democracia, como já vimos em nossa história recente, tudo piora. E muito.
A Lava Jato precisa agora, mais do que nunca, da opinião pública a seu lado.
É a nossa única saída.
Que o exemplo da seca no Nordeste nos ajude nessa reflexão.
O vídeo a que me refiro tem 2:43 e é o seguinte:
https://www.youtube.com/watch?v=99Nd2CnetTg&sns=tw via @youtube