Abaixo da crítica

Depois de Dilma Rousseff, uma presidente sofrível, que escangalhou a moeda, o emprego, a inflação e a autoestima do brasileiro, Michel Temer tinha um sem número de instrumentos para começar a consertar os estragos.
Pra que não lembra, ele se propôs a fazer “um governo de salvação nacional”.
Passados 8 meses, estamos sob um presidente abaixo de qualquer crítica.
Ele segue cercado – e assessorado – por denunciados, investigados ou no mínimo suspeitos nas investigações da Lava Jato, operação que recebeu seu aval no primeiro discurso, ainda como interino, em maio do ano passado: “… a Lava Jato tornou-se referência e, como tal, deve ter prosseguimento e proteção contra qualquer tentativa de enfraquecê-la”.
As aberrações das nomeações da semana passada, as transferências dentro da Polícia Federal – tudo aponta em outra direção.
Acusavam Dilma de não gostar de políticos.
Temer, pelo jeito, gosta demais deles.
Só que ele esqueceu de combinar, primeiro, com os delatores. Se no Supremo não há prazo para o julgamento de quem tem foro privilegiado, existe um batalhão de réus em primeira instância guiados pelo exemplo de Marcos Valério. O publicitário pagou o pato enquanto os caciques políticos se livraram de penas maiores no mensalão.
E há, além dos empreiteiros, também os Eikes, a família Cabral, ex-parlamentares como Eduardo Cunha e Delcidio do Amaral. Todos sem foro e sem nenhuma vontade de passar o resto da vida atrás das grades.
Em segundo lugar mas não menos importante, Temer esqueceu ou não quis combinar com o cidadão brasileiro a serviço de quem ele deveria estar no Planalto.
É uma aposta perigosa.
Matança e fuga em presídios, greve de polícias, população sitiada e amedrontada ora por protestos ora por violência, saques em supermercados, falta de mantimentos, correria para provisão doméstica de gêneros de primeira necessidade.
Enquanto tudo isso choca o Brasil, Temer concede foro privilegiado a auxiliar alçado a ministro, e muda o nome do Ministério da Justiça para (ironicamente) Ministério da Justiça e Segurança Pública – justamente a pasta que ele deixa virtualmente vaga, depois de indicar seu titular para o alto posto da magistratura no Supremo Tribunal Federal.
Cabe de novo à população, e só a ela, dizer o que tolera e o que não tolera.
Uma pena que precise ser assim.