Lobby

Vem cá, a reforma prisional, a reforma do judiciário, bem como a sempre impossível reforma política, não parecem um pouco mais urgentes do que as outras, tão alardeadas pelo distintíssimo governo Temer?
Aliás: batizar esses projetos de reformas, seja da previdência, seja trabalhista, é no mínimo ousado.
Em bom português, não passam de remendos às leis trabalhistas em vigor – e cheias de falhas.
Só eu vejo prioridade nas reformas citadas acima, caramba? Só eu vejo isso tão claro como a água?
(Óbvio que não me refiro à transparência da nossa água, e sim à de países menos corruptos, que usam o dinheiro público no tratamento sanitário etc etc etc.)
Sim, estamos cientes que virou moda mundial falar de envelhecimento da população. O refrão da revisão de idade para aposentadoria – e, oh!, do futuro das finanças públicas – está em toda parte.
Ora bolas, o Brasil não é comparável.
Esse marketing do sr. Michel Temer pode funcionar nas altas esferas do poder e do empresariado, que embarcaram legal no lobby dele: mostrar serviço, dizer que as reformas, especialmente a da previdência, são necessárias.
Só que não!
Não aprenderam nada com o desfecho Dilma Rousseff.
No governo, fingem-se de surdos e se calam diante de uma roubalheira cada vez mais chocante e esparramada.
Hello: o dinheiro dos aposentados (e de todos os outros, inclusive dos que começam a fazer suas declarações de imposto de renda) continua indo pro bolso dos chefes das organizações criminosas, nomeadamente os políticos dos mais altos escalões da República.
Já escrevi isso antes, mas é preciso insistir: por que diabos alguém acha que dá pra cobrar mais da pessoa de quem se rouba?
A sociedade segue privada de seus direitos fundamentais, apesar de pagar impostos maiores a cada dia que passa.
Vai sobrar pro eleitor fazer as reformas.
Que não serão indolores para o establishment.
O brasileiro é um craque no uso das redes sociais, exímio nas manifestações de ruas, e será cada vez mais cirúrgico nas urnas.