Tem chão

Só mesmo o Brasil pra festejar tanto uma queda tão irreal da taxa de juros.
O Banco Central cortou em mais um ponto percentual a Selic, o juro básico, agora na reunião de setembro.
De 9,25% para 8,25% ao ano.
É a menor em 4 anos.
Imediatamente, começaram a chover comentários sobre a redução da rentabilidade do dinheiro investido, ou mesmo dos custos dos empréstimos.
Acontece que a inflação, que chegou a indecorosos 10,67% em 2015, está hoje em 2,46% (sempre em 12 meses).
Se a Selic é a menor em 4 anos, a inflação é a menor em 18!
Só faltava o Banco Central não reduzir o juro nominal.
Meu ponto é que, diante de tamanho carnaval, muita gente pode acabar se enganando ao tomar decisões – seja na ponta dos investimentos, seja na dos empréstimos.
O juro real no Brasil continua entre os mais altos do mundo.
Tem muito chão ainda para o Banco Central cortar mais a Selic, até que se chegue a patamares – digamos – historicamente aceitáveis.
Só pra ficar num exemplo: nos últimos 12 meses do governo Dilma, o juro real, isto é, já descontada a inflação do período, foi de 4,7% (de 1/9/2015 a 31/8/2016, tivemos um IPCA de 8,97%, e uma Selic de 14,09%).
Pois nos primeiros 12 meses do governo Temer, o juro real quase dobrou, para fantásticos 9,33% (de 1/9/2016 a 31/08/2017, IPCA ficou em 2,46%, e a Selic, em 12%).
Cuidado com as dívidas!
E juízo na hora de pular de investimento conforme a dança do primeiro gerente de banco que cruzar a sua frente.
É a corrosão do poder de compra de seu dinheiro que importa, e não o valor nominal.
P.s.: nos Estados Unidos, os juros básicos estão em 1%, abaixo da inflação de 1,8%.