Enamorados

O PT de mãos dadas com o PSDB, e o DEM (por outras razões) brigando com seu aliado de sempre, o PMDB.
É o que a gente já sabia faz tempo, mas precisava ver pra crer:  as siglas, o sistema partidário, não significam nada.
Na hora em que a Justiça determina o recolhimento noturno de um senador – do PSDB – flagrado em gravações que são verdadeiro atentado à ordem pública, o PT, arqui-inimigo histórico do partido, acena com uma aliança inédita em direção ao enfrentamento do Poder Judiciário.
Em nome da soberania constitucional dos poderes, articula-se desfazer a decisão do Supremo, que privou o mineiro tucano Aécio Neves de baladas e afins.
O que todos ali temem?
Meramente, morrem de medo de abrir um precedente com o caso Aécio, e, amanhã ou depois, ver arranhada sua própria garantia de impunidade.
Mas tem mais: também nesta semana, vimos que o mesmo Congresso está pra dar um novo presente aos meliantes (como o Planalto os tem definido em suas notas estapafúrdias).
Já aprovada pelo plenário da Câmara, a novidade estende a corruptos – políticos, empresários ou operadores – o direito ao parcelamento de dívidas tributárias. Com juros amigos a que nem você nem eu teríamos acesso, caso atrasássemos algum dos tantos impostos que sustentam os poderes da República.
A manchete do jornal O Globo de hoje explica como será o novo assalto ao contribuinte, segundo a lei em fase final de gestação.
Falta só um ano pras eleições.
Passou da hora de mudar essa indecência.
Por mais que já se tenha falado no assunto, é preciso reiterar que a informação e a conscientização do povo, especialmente via redes sociais, vão ser fundamentais para que recuperemos, a partir das urnas no ano que vem, a esperança no futuro deste grande Brasil.
Durante décadas, os representantes dessas legendas que estão aí, seja no Executivo, seja no Legislativo, vêm surrupiando da população direitos básicos à educação, à saúde, à integridade física, à liberdade de ir e vir.
Direitos, diga-se, previstos na mesma Constituição a que PT e PSDB recorrem agora para tentar desobedecer o Supremo.
Eu me repito: a nossa arma contra tamanho deboche será o voto. Até lá, é preciso seguirmos informados, indignados, e, especialmente, conectados.