Crianças famintas de outros continentes estariam entre as vítimas da Petrobras

Uma organização criminosa de fazer inveja a seus pares.
Parece que a quadrilha investigada pela Lava Jato chegou a trapacear a maior fundação de caridade do mundo.
Por essa eu não esperava.
A Fundação Bill & Melinda Gates existe há 15 anos, emprega cerca de 1.400 pessoas em todo o mundo, e, com doações de mais de U$ 40 bilhões, atua em várias frentes de combate à pobreza extrema sem fins lucrativos. Financia a erradicação da poliomielite, o combate à Aids, à tuberculose e à malária, além de várias outras doenças tropicais. É especialmente atuante numa das regiões mais pobres do mundo, a África sub saariana.
Essa generosa instituição, citada frequentemente também como uma das mais transparentes do mundo, está processando quem?
Ela: a Petrobras.
Queixa-se de ter sido usurpada em dezenas de milhões de dólares.
Em 2012, durante o julgamento do mensalão, o ministro Luís Fux, do Supremo Tribunal Federal, lembrou que “a cada desvio de dinheiro público, mais uma criança passa fome, mais uma localidade fica sem saneamento, mais um hospital sem leitos”.
Verdade. Só que há três anos não nos passava pela cabeça que o crime enraizado no poder público alcançasse tamanha escala.
Muito menos que a maior estatal brasileira mentisse tanto e por tanto tempo. A ponto de enganar o fundador da Microsoft. E de privar de comida, esgoto e hospitais não só os brasileiros, mas também os muito pobres de outros continentes.  (Em tempo: não acredito na versão de que no encontro com a presidente Dilma, nos EUA, Bill Gates se disse constrangido com o processo aberto, “terceirizando” a responsabilidade. Essa história de transferir a “culpa” para a vítima… Bom, parece é bem tupiniquim.)

Não é extorsão, é propina

A propina virou regra do jogo. A naturalidade com que é paga é assustadora.
Para mudar essa cultura, de dimensões sistêmicas, é preciso que as autoridades atuem duramente contra a corrupção, que a justiça criminal seja reformada, e que os empresários se recusem a pagar e denunciem o corrupto.
A receita é do juiz Sergio Moro, encarregado da Lava Jato, e foi prescrita como sendo a única saída para o problema que corrói o Estado brasileiro.
Ele esteve em São Paulo, onde fez palestra a empresários na quinta-feira, 24 de setembro.
No mesmo dia, o Ministério Público estadual também de São Paulo informou que o Morumbi Shopping está entre os 28 casos da “Máfia dos Alvarás”, revelada em 2013.
O Morumbi Shopping, localizado em bairro de alto poder aquisitivo na capital, é investigado por ter pago 3 parcelas de R$ 500 mil (total de R$ 1,5 milhão) a fiscais da prefeitura em troca de autorização para obras de expansão.
A promotoria diz que o empreendimento parece ter sofrido extorsão de funcionários municipais.
A julgar pelo que disse o juiz Moro, porém, a propina é a regra. A extorsão existe, mas é exceção.
E é a essa regra que se espraiou por todos os tecidos da sociedade, que os empresários precisam reagir.
Faz sentido.

E nos cargos de confiança, não vai nada, não?

Então ficamos combinados assim: vale a pena trabalhar no setor público. Se for ‘comissionado’ ou se tiver vocação pra ladrão.
No concursado, aquele servidor que ralou e estudou muito pra ser aprovado, e que não nasceu pra roubar, é créu. Ok, não sou ingênua, e sei que alguns se acomodam, sim, porque só eles têm estabilidade.
Mas: 1) claro que não são todos, e 2) a estabilidade é discutível, mas é lei.
Alto lá ao culpar o servidor (concursado!) por ser estável.
Além do mais, nada mesmo justifica congelar o salário deles por tanto tempo, pagá-los mal, e, agora, adiar por mais sete meses o reajuste previsto para janeiro de 2016.
Assim como o alegado buraco no orçamento federal não justifica aumento de impostos.
Porque está mais do que documentado que o “déficit” federal é resultado do ralo pelo qual o dinheiro dos impostos sangra continuamente.
Foi agravado, lógico, pelas artimanhas que o governo tentou fazer para forjar um equilíbrio e enganar não só as agências de risco, mas até o Fundo Monetário Internacional.
Agora, o mesmo e reeleito governo foi obrigado a abrir o jogo.
A pergunta que o eleitor faz e refaz é: antes, o mesmo governo procurou demitir algum diretor de área internacional (por exemplo) de uma grande estatal que, aos olhos do chefe (a presidente), poderia não estar trabalhando em defesa do interesse público, e sim dos interesses de sua própria família e da  quadrilha ou organização criminosa que o cerca?
Porque todos sabemos que os nomes agora conhecidos através da Lava Jato só foram demitidos bem depois dos 50 minutos do segundo tempo. Eles estão presos e/ou sob investigações criminais.
Será que há outros, em outras estatais, que têm condutas parecidas e, portanto, devem ser demitidos antes que o estrago seja maior? Ou antes que o alegado buraco das contas públicas afunde mais?
Afinal, são cargos de confiança, e, para demiti-los, a presidente pode apenas deixar de acreditar neles.
Não temos notícia da faxina ética que foi usada como mote de marketing na primeira metade do primeiro mandato da presidente. A cada nova fase da Polícia Federal, a organização criminosa instalada no governo se revela mais ousada e destemida.
Segue roubando.
A gente segue pagando.
Tenha dó. Assim não dá.
P.s.:
Fiquei pra lá de surpresa com a reação dos servidores à minha breve análise publicada sexta sobre esse descabido “desajuste fiscal” inventado pelo governo e que, se o Congresso aprovar, vai punir os brasileiros honestos. Não sabia que eles se sentem tão hostilizados pela sociedade.

Pixuleco d volta e sua satisfação garantida

Se o ministro Levy puser os fiscais da Receita na rua com metas, vai dar tudo certo. Até as agências d risco vão aplaudir.
É só falar pros moços pegarem de volta os pixulecos. O $ q é da gente e q roubaram.
Por exemplo: vendam-se os móveis da sala decorada por $ 140 mil só d uma das várias casas do hoje presidiário (pela segunda vez) José Dirceu, o político cassado. Sabe d onde tiraram o $ pra comprar tudo akilo e mto +?
Bingo! Sim, dos impostos. Portanto, não é a falta d impostos q causa o rombo no orçamento. Tampouco os pobres aposentados.
É a ladroagem.
Outra: d onde réus e presos por corrupção tiraram o dinheiro pra pagar os advogados d defesa + caros do Brasil?
Bingo de novo! Sim, dos impostos.
Impostos q o governo tem a cara-d-pau d dizer e repetir q precisam aumentar. Não precisam não!
Como é + do q sabido, rola roubalheira d dinheiro graúdo e miúdo. Vide só o exemplo do seguro dos pescadores q citei dia destes.
Dizer q todo mundo precisa se sacrificar é o cúmulo.
Tem até gente séria argumentando, c/ complicados cálculos atuariais, q a previdência social é insustentável.
Alô! Inútil tudo isso enqto não fecharem o ralo dos ladrões.
A gente só vai pagar + imposto pra terem + em caixa pra roubar. Não é possível q não vejam isso. E por favor, não me venham c/ a história d q recuperar o dinheiro é demorado, ok?
Demorado já foi o mensalão, q, como os juízes não se cansam d falar, se sobrepôs ao petrolão e sabe-se lá a + qtos eletrolões.
Enqto eles julgavam o mensalão, os mesmos ladrões continuavam a roubar nas licitações (do meu, do seu, do nosso) da Petrobras. E nos portos, será q não tem
pixuleco pra recuperar antes d falar em + imposto + imposto + imposto? Nas estradas? Em aeroportos?
É o pior d tudo: tem gente morrendo todo dia por falta d serviço público – esse sim obrigatório, d acordo c/ a constituição, q simplesmente não é cumprida nem obedecida.
Governo é obrigado a prevenir assalto a mão armada e acidente nas estradas. É obrigado a fiscalizar a segurança d portos e aeroportos. É obrigado a encontrar, denunciar, julgar, penalizar e prender os infratores. É obrigado a garantir o escoamento das exportações.
É obrigado a garantir escola pras crianças pobres. É obrigado a cuidar dos doentes, interná-los e medicá-los. É obrigado a ter e também a cuidar permanentemente da manutenção dos hospitais.
E a pagar pessoas treinadas em quantidade suficiente p/ tratar os
doentes.
É obrigado a fazer investimentos em infraestrutura q garantam o progresso, e não o retrocesso do país. Tem q pôr esgoto onde não tem. Luz, gás.
É obrigado a manter as contas públicas equilibradas e a zelar pela estabilidade da moeda.
Tudo com dinheiro dos nossos impostos, sim.
É pra isso q servem os impostos.
Fechar os olhos à roubalheira e dizer à Nação q o sacrifício vai ser d todos é deboche.
Não é possível q seja burrice. Ou ingenuidade.

Pixulecos já! Cobrem buraco do orçamento e sobra troco

Avisem o ministro Joaquim Levy. Não é c/ impostos novos e maiores q ele tem q cobrir o déficit do orçamento. Mto menos arrumar superávit. Ou estancar dívida pública. Nada disso! Fala pra Receita coletar os pixulecos. Parece brincadeira? Mas não é. C/ todas as contas dos pixulecos prestadas e em dia, ele vai devolver o troco pra vc, pra mim, pra nós. Mas não me venha c/ esse trololó d arrecadação, ok? A arrecadação dele é do pixuleco

Lula e o petrolão

Furo da revista Época: tô boba. Será q é por isso q “todos vão precisar fazer sacrifício” e cobrir o rombo das contas públicas? Será – e estou apenas perguntando – q o petrolão comeu esses impostos de, repito, uma das cargas tributárias + altas do mundo? Sério, não é demagogia. É uma questão de orçamento familiar mesmo. Como tanto insistiram, com razão, alguns ministros do STF durante o julgamento do mensalão , um dinheiro q deveria estar vacinando, alimentando e ensinando crianças pobres, e que foi roubado delas. Para (hoje sabemos) mobiliar com luxos inimagináveis não sei quantas casas do então candidato à presidência da República e hoje presidiário, o político cassado, sr José Dirceu.
Como alguém ainda tem a cara-de-pau d dizer q precisa cobrar + imposto?
A conta não fecha. Ponto.

Não quer calar: e a peneira das fraudes?

Empenhado em fazer um alegado ajuste fiscal, governo martela na tecla do “imprescindível” aumento de receita, através de maiores ou novos impostos. Num país assolado por denúncias de corrupção que, de longe, superam o déficit, a pergunta que não quer calar é: o que o Poder Executivo tem feito, objetivamente, para estancar a hemorragia de dinheiro público? É sabido que parte importante da arrecadação escorre pelo ralo, seja nos pequenos municípios, seja em Brasília. Antes q as investigações em curso acabem, ou q os ladrões sejam julgados e presos, foi tomada alguma providência ? Fechou-se alguma torneira?
Exemplo: é de conhecimento público que crescem as fraudes no seguro que o governo paga aos q se registram como ‘pescadores artesanais’. Se houve alguma providência, nada ainda surtiu efeito. Porque, como disse anteontem ao jornal Valor o procurador da República no Pará, Luiz Eduardo Smaniotto, o trabalho dele é paliativo, feito “a conta-gotas”. (Fechado para assinantes.)
Diga, ministro Joaquim Levy, o sr. dorme à noite, sabendo que a receita de que o sr. precisa para fechar as contas públicas vaza por uma verdadeira peneira de roubos?

Errata e pedido de desculpa ao ministro Mercadante

Supremo autoriza investigação de Edinho Silva, ex-tesoureiro da campanha de Dilma, e hoje ministro da Comunicação Social do Palácio do Planalto. Suspeita: que dinheiro usado na campanha, mesmo declarado, tenha vindo do cartel do petrolão, isto é, das propinas cobradas nas licitações fabulosas da Petrobras.
Com meu pedido de desculpas (duplo, porque tardio) ao chefe da Casa Civil, Aloísio Mercadante, esclareço que a Procuradoria-Geral da República informou q tanto o caso dele quanto o do senador pelo PSDB de SP, Aloysio Nunes Ferreira, não têm relação com a Lava-jato. O Ministério Público pede ao Supremo Tribunal Federal autorização para investigar se ambos trabalharam com caixa dois na campanha (a de Mercadante, ao governo do estado de São Paulo). O inquérito sobre o ministro Edinho Silva já foi autorizado pelo STF. Os outros dois ainda estão sendo examinados.