O escândalo da Volks traz à tona o descaso dos governos europeus com a poluição

Responsável por mais de 110 mil mortes prematuras por ano só na Inglaterra e nos Estados Unidos (fontes: The Guardian e The Economist, respectivamente), a poluição emitida por carros, caminhões e ônibus deve passar a ser fiscalizada com mais rigor depois do escândalo que sacudiu a reputação da Volkswagen, a maior automobilística do mundo.
A empresa diz ter vendido 11 milhões d carros a diesel (e, sabe-se agora, também caminhões) em todo o mundo equipados com um software que deturpa os testes de emissão de óxido de nitrogênio, especialmente prejudicial aos pulmões.
Não se conhecem ainda os países em que circulam esses veículos. Até segunda-feira, 28 de setembro, a Volkswagen do Brasil não informou se o único modelo a diesel vendido aqui, a picape Amarok, está entre os que rodam com o software fraudulento. O Ibama abriu investigações.
O crime, anunciado no dia 18 de setembro pela agência de meio ambiente americana, foi confessado pela empresa. Três dias depois, o presidente mundial da Volks foi demitido.
E abriram-se as comportas de um manancial de segredos ainda mais estarrecedores sobre a omissão dos governos da Europa em relação ao controle do veneno que a indústria automobilística despeja no ar que respiramos.
Um documento obtido por The Observer, inglês, demonstra que o ministério do meio ambiente do Reino Unido vinha trabalhando para bloquear novas leis de melhoria da qualidade do ar em toda a União Européia.
O Ministério dos Transportes admitiu ter ignorado fortes evidências de práticas fraudulentas pela indústria automobilística, recebidas há um ano.
The Economist, revista inglesa, afirma que os testes na Europa “são uma farsa”. Adverte para as possíveis consequências no enorme braço financeiro da Volkswagen (praticamente um banco, que, diante da vergonha mundial, não está de todo livre de uma crise de liquidez). A revista diz ainda que, assim como no caso FIFA, partiu mais uma vez dos Estados Unidos a denúncia de um crime com DNA europeu.
E não deixa de cobrar dos promotores americanos o cumprimento da promessa de punir também as pessoas responsáveis pelos crimes empresariais, e não apenas seus acionistas, através de multas gigantescas. O artigo lembra que foi isso o que aconteceu com a maioria dos escândalos bancários que estouraram depois da crise de 2008. “Crimes dos mais variados não foram a julgamento. Acabaram em acordos nada transparentes e em enormes multas.”
(Alô Petrobras. Para quem não lembra, a Petrobras sofre um sem número de processos mundo afora, o mais recente anunciado sexta-feira pela Fundação Bill Gates, mais uma investidora da empresa que se sentiu prejudicada por tantas e tamanhas mentiras divulgadas anos a fio. Será que as pessoas do Conselho de Administração e/ou seus executivos sofrerão penalidades?)
Quem sabe a cultura do jeitinho (multas milionárias e tchau) na hora de punir o crime do colarinho branco empresarial tenha começado a acabar com o choque da mentira mundial da Volks.
Melhor ainda seria o Brasil dar o exemplo ao mundo, penalizando, a partir da Lava Jato, não só os políticos e respectivos intermediários corruptos, mas também as pessoas ou os corruptores que agiram em nome das grandes corporações. 

Efeito “dois milésimos” na farinha do muito pobre

Como acabei de comentar com um de meus queridos seguidores: esses governadores não são mesmo uns fofos? Batem o pé pelo aumento da alíquota! Senão, não deixam as respectivas bancadas aprovarem a CPMF.
Mas olha, ainda resta uma esperança, porque parece que nossos legisladores começam a ficar com um certo receio de aprovar uma medida tão simpática a seus eleitores (a ironia é minha; claro que não é simpática).

Sejamos um tiquinho otimistas. Quem sabe depois, pelo menos depois de não conseguirem o ok do Congresso, eles se lembram de ir buscar o buraco no orçamento junto a todas as quadrilhas, que continuam por aí às gargalhadas levando propinas pra lá e pra cá em malas à prova de qualquer CPMF? Hein? Ah, vai: admita-se. Seria melhor e mais produtivo do que cobrar de ricos, pobres e também de muito pobres, como é o caso da CPMF.

Garanto que cobre o déficit e dá até um belo superávit.

Porque nessa história de que pobre não sofre com CPMF ninguém mais acredita. Ou acredita?
Se houver dúvidas: é justamente no pobre, que já é quem mais é castigado pela volta da inflação (de longe o pior imposto de todos), que desemboca a mais nefasta consequência de um imposto como a CPMF. É a taxa cobrada na forma da famosa cascata. Quer dizer, toda a cadeia de produção, desde o pequeno camponês que comprou sua semente, até a boca do caixa do supermercado, terá passado pelos seus dois milésimos (ou teria passado – se nós, em nosso incorrigível otimismo, conseguirmos imaginar a reprovação pelo Congresso). Resultado? Pois é, o quilo da farinha + vagabunda vai onerar você, eu, nós, que, por acaso, também estaremos (ou melhor, estaríamos) desembolsando nossos dois milésimos toda vez que abrirmos a torneira pra lavar a mão.

Óbvio que o muito pobre, que não tem conta bancária nem nada, mas de vez em quando compra farinha, estaria sendo muito mais onerado do que as quadrilhas que usaram o dinheiro das licitações pra se encher de Porsches, Ferraris e tudo o mais que já foi revelado só até aqui.

Mas que confusão conseguiram fazer desta vez. A própria presidente tinha mandado desmentir. Tinha desautorizado completamente a CPMF há pouco mais de uma semana!

Bagunça.

“Um tapa na cara do ministro Levy”

“Brazil junked. Incontinência fiscal. O mistério é por que não aconteceu antes. Ataque das agências de risco.”
São alguns dos destaques do artigo online da revista semanal The Economist, q já estava impressa qdo a Standard & Poor’s anunciou sua decisão ontem, quarta, à noite.
Lembrando que nossa chance de novo rebaixamento é de 33%, a revista faz interessantes observações sobre a imagem do Brasil no mercado internacional.
Há meses os títulos brasileiros já pagavam juros mais altos (obviamente por serem considerados de maior risco) do que os da Turquia, por exemplo, que não conquistou o grau de investimento. Grau de investimento é a “nota” mais nobre da classificação d risco, e é atribuída a nações com política econômica suficientemente confiável. Por definição, esse grau abre portas aos títulos emitidos por governos e empresas. Mais disputados pelo investidor, pagam automaticamente juros mais baixos.
Outra observação do mesmo artigo: os mercados agora devem se antecipar ao rebaixamento das duas outras grandes agências, a Moody’s e a Fitch.
“É certamente um tapa na cara do ministro Joaquim Levy, que foi para o governo principalmente para prevenir o rebaixamento.”
O texto é forte. Ou melhor, forte é a bomba do rebaixamento para uma presidente q, lembra ainda The Economist, está com a popularidade baixa e sem controle sobre o Congresso. A coalizão que deveria apoiá-la, cada vez mais incomodada pelas investigações de um enorme escândalo de corrupção, vai se diluindo dia a dia.
Vc sabe a que escândalo os ingleses se referem.

Na vala comum

Alguém achou, lendo o q escrevi ultimamente, que ando pessimista? Espere até ver o demolidor comunicado em que a agência de risco Standard & Poor’s justifica o rebaixamento do Brasil para a categoria “junk” (lixo em inglês). Segundo os critérios internacionais de investimento, o Brasil passa a ser um pagador não confiável. Os títulos do Tesouro Nacional caem no balde comum do q é considerado “especulativo”.

Como se não bastasse, fomos tambem avisados de que podemos ser rebaixados de novo (“perspectiva negativa”, diz a agência).

Moral imediata da história: o custo da dívida externa dos governos e das empresas está mais alto. Porque as notas dessas agências servem de parâmetro para os investidores decidirem o grau de risco que estão dispostos a correr. Por definição , e não há mágica a se fazer a partir daí, quanto pior a nota, mais alto o juro.

As cuidadosas justificativas da S & P não deixam dúvida. O Brasil perde sua condição de país em que se recomenda investir porque: a situação fiscal piorou, o governo não mostrou a prometida determinação em melhorar suas contas, a dívida pública vai aumentar, e a recessão será maior e mais longa do que o previsto.

Em meio às investigações de corrupção na Petrobras, o governo está politicamente fraco, não consegue acordos com o Congresso, tem baixa aprovação da população, e a presidente corre o risco de impeachment (a S & P ressalva, porém, que não levou em conta a interrupção do mandato presidencial para rebaixar o Brasil).

Lembrete meu: Dilma Rousseff já detinha a posição de primeiro presidente em 85 anos a mergulhar o Brasil em 2 sucessivos anos de recessão (2015 e 2016).

Agora, mais delicada ainda é sua governabilidade, sua fragilidade política.

Como observou o jornal londrino Financial Times, o rebaixamento é um grande golpe no governo dela.

 

Boa notícia! Garantido acordo nuclear com Irã

Boa notícia, ufa. Tão boa quanto importante para todos nós. Obama finalmente conseguiu os votos de que precisava para aprovar o acordo que, em tese, segura o ímpeto do Irã para fazer a bomba nuclear. O conhecimento do Irã em armamentos nucleares é uma gravíssima ameaça ao mundo. O secretário de Estado, John Kerry, aparentemente com uma paciência (ou estômago) de Jó, fechou o acordo no dia 14 d julho, depois de ficar praticamente confinado durante 17 dias com o ministro do Exterior do Irã e de outras 5 potências em Viena. As negociações foram duríssimas e começaram há 12 anos. Nestes 40 e tantos dias, o Congresso americano ameaçou rejeitar. Seria perigosíssimo para o planeta. A imprensa internacional diz q a vitória de Obama é a derrota do governo de Israel e do partido republicano (americano), que se opuseram desde o começo. É um tratado polêmico, cheio de dúvidas e problemas, mas, sem ele, estaríamos fritos.