Pensando em dar um pulo na Europa? Só se você der R$ 4,62 por 1 euro

O que dizer sobe o preço do dólar, que bateu em R$3,90, pra fechar (no mercado baratinho, o comercial, só vale pras exportações) em quase indecentes R$ 3,88, a cotação mais alta desde outubro de 2012?
Primeiro, que desde outubro de 2012 não havia tanta insegurança ou incerteza política quanto agora.
Parênteses: o dólar hoje esteve calmo e sem valorizações mundo afora. Isto é, o real, de novo, mais caidinho do que seus pares.
Mas eu assustei (de novo) quando vi o euro. Subiu 2,7% hoje, e, igualmente nesse mercado de atacado onde os preços são sempre mais generosos, vale agora R$ 4,44.
Euro turismo? Lamento informar que você só o compra se der, em troca, 4 reais mais 62 centavos, em média (R$ 4,62). O aumento hoje foi de 1%.
É ruim, hein?

Até tu?

Parece importante, para dizer o mínimo, o fato de um vice-presidente da República dizer, primeiro, que tem certeza que a presidente Dilma terminará o mandato. Foi dia destes e já estranhei. Diante de tudo por que tem passado a vida política nacional, o vice-presidente dizer isso… Não sei, mas à primeira vista, parece que ele achou necessário. E se achou, pode-se pensar que, em alguns círculos do alto escalão de Brasília, acredita-se que ela pode não ficar no Planalto até 2018.
Hoje, deparo-me com outra de Michel Temer, que está na Polônia. Segundo o jornal Valor, ele disse que a posição dele sobre CPMF, publicamente contrária há cerca de 15 dias no máximo, não mudou.
O vice-presidente, antes mencionado em muitas notas de bastidores quase como um adversário político da titular, agora falou com todas as letras. Que é contra um dos pedaços mais importantes, se não o mais importante, do ajuste fiscal anunciado na segunda-feira pela dupla de ministros: Fazenda e Planejamento. Em nome da presidente.

Brasil ganha oxigênio enquanto EUA seguram os juros

Um dos fatos mais importantes esta quinta foi a decisão do Banco Central americano de não aumentar os juros negativos, o que se espera seja feito a qualquer momento, é que não acontece há quase 10 anos. Por ora, continuam entre 0 (sim, zero) e 0,25% ao ano.
É muito raro o Banco Central dos EUA fazer referência, como fez hoje, ao rumo da economia global, ao justificar a decisão. Sinal de que reconheceram a importância da turbulência que já vinha se insinuando, mas que se agravou em agosto com origem na China, onde as bolsas despencaram, levando o governo a desvalorizar a moeda como não se via há vinte anos.
Desnecessário lembrar as reverberações principalmente entre nós, os emergentes. Da própria Ásia à América do Sul, passando principalmente pela África. É um dos muitos assuntos que devem assombrar a presidente Dilma, pois o efeito por aqui foi importante.
O fato de o aumento dos juros americanos não ter acontecido ainda não deixa de manter, por mais algumas semanas, o oxigênio do Brasil. Alta de juros lá, por definição, quer dizer aumento do interesse pelo dólar (títulos em dólar passam a pagar juros um pouquinho melhores). E, portanto, menos interesse pelo real, já uma das moedas mais prejudicadas pelos sustos causados pela China no começo do segundo semestre.

Ui

Essa está forte. O irmão mais velho de Lula, responsável por apresentá-lo ao ativismo sindical, está preocupado com a tristeza do ex-presidente.
Mas por que comento?
Porque Frei Chico, o irmão, teria pronunciado o seguinte sobre a presidente Dilma Rousseff:
“Não temos como sacrificá-la agora.”
Li primeiro no Globo online, e agora vejo no Valor algo um pouco mais detalhado.
Assim? Nossa…

Já não passou da hora de acabar com tanto recall?

Outra coisa que me chamou a atenção foi o acordo anunciado pela General Motors americana com o Departamento de Justiça também dos Estados Unidos, por ter se omitido a respeito de um defeito de ignição que matou, segundo a CNN, pelo menos 124 pessoas. E por ter demorado para fazer o conhecido recall.
Já estava na hora de a indústria automobilística prestar mais atenção nessa história de recall, que suspeito tenha virado algo banal. A toda hora alguma montadora chama para algum recall em modelos x, y ou x.
Se as fábricas “chamam de volta” os infelizes proprietários dos automóveis, é porque oferecem risco.
Ora, é o cúmulo deixar sair da fábrica tanto carro com perigo potencial.
O acordo com a GM foi d U$ 900 milhões. E, só pelo que li muito rapidamente há pouco, nem foi o maior. Temo ser vítima da pressa e citar o veículo errado, mas se não me engano foi na CNBC que li que a Toyota já fez um acordo similar de US$ 1,2 bilhão. E que hoje a mesma Toyota anunciou a 423.500 infelizes proprietários de um de seus modelos de SUV (nos EUA; nada vi sobre o Brasil), que eles precisarão comparecer às concessionárias para cumprir mais um “recall”.
Além do perigo (na minha opinião absurdo), além do recall (que deveria ser uma raríssima exceção), cabe a pergunta: e no tempo que se perde indo até o local, esperando, e voltando pra casa, não vai nada, não?

Enfim, livres das forças ocultas

Desde que eu era bem novinha, lembro-me daquele inútil trambolho aos nossos pés nos carros. Procurei saber há quanto tempo o extintor de incêndio é obrigatório. A lei agora revogada entrou em vigor há 45 anos (1970). Finalmente, estamos liberados do acessório que, segundo os engenheiros especializados em segurança automotiva, já era inútil há muito tempo.
Como disse um deles, cujo nome agora não me recordo, eram “forças ocultas” que impediam o Conselho Nacional de Trânsito de revogar a obrigatoriedade.
Não dá pra entender por que tanta hesitação até nos desobrigarem. Nos Estados Unidos, há mais de dez anos isso acabou.

O que faz o comitê de ética da FIFA?

Olá! A seguir, as minhas observações sobre algumas das notícias de hoje que mais me chamaram atenção. Cuja ordem, confesso de antemão, me deixou em dúvida.
FIFA: depois do furo internacional que o jornalista Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo deu, simultaneamente a 9 jornais d outros países, a FIFA afastou o secretário-geral, Jerôme Valcke. Aquele que sugeriu um chute no traseiro do Brasil antes da Copa de 2014.
Além da revelação em si, do dono de uma empresa de marketing envolvida na venda dos ingressos, de que Valcke ficava com um pedação do dinheiro por baixo do pano, o que me chamou a atenção é que a FIFA o afastou, alegando – atenção: que o assunto ficará sob investigação do comitê d ética da própria FIFA.
Com todo respeito: o que é e o que faz, exatamente, até hoje, um comitê de ética na organização?

Golpe? Águas turvas? Encurtar what, presidente?

A menos que ela tenha passado o recibo de que está com receio de ver seu mandato interrompido, tô boiando.

A presidente Dilma Rousseff esteve hoje, quinta, em Presidente Prudente, SP.

Achei tão estranho o que ela disse, que me vi pensativa.
Primeiro, porque políticos sujeitos a campanhas são treinados à exaustão para aprender a linguagem do povo.

Saltaram-me aos olhos e aos ouvidos várias expressões empregadas pela presidente.

“Atalhos questionáveis”, “ruptura democrática” e “pescar em águas turvas”.

E isso então? “Quem acha que tudo vai dar errado chama o erro para si mesmo”.

Espera? Seria esse um sinistro recado da presidente aos que dela discordam? Medo.

O trecho campeão da minha estranheza foi: “encurtar o caminho da rotatividade democrática”.

Estaria a presidente se referindo à ‘roda’ no sentido de ‘rodízio’? Mas o partido dela foi eleito 4 vezes seguidas, e está na Presidência há 12 anos. Ela quer que o PT se reveze, mas sem encurtar o caminho da roda? Qual roda?

Meu ponto: por que será que ela vem usando, e não é de hoje, frases tão indiretas em pronunciamentos quase cifrados?

Pra falar a verdade, a impressão que ela me passa é de estar muito nervosa. Muito mesmo.
Senti a mesma coisa ao ler a entrevista dela ao jornal Valor, e também quando ela lastimou que as contas de luz tenham subido .

Essa foi demais. Em 11 de agosto, a presidente acenou com dias melhores: “esse encarecimento do fornecimento de luz começa a ser progressivamente revertido”. Convenhamos, é abstrato. É vago.

“Nós acreditamos que com a regularização do sistema hidrológico no Brasil nós teremos mais e melhores notícias a dar nesse sentido”.

Vem cá, será que ela quis dizer: “quando chover a conta de luz vai ficar mais barata”?

 

São 200 bilhões pra lá, 2 milésimos pra cá

Olhaí, estou falando. O governo estima que a CPMF, cuja tentativa de ressurreição foi anunciada ontem, resultaria, se aprovada, em R$ 32 bilhões nos cofres públicos no ano que vem. Resultado daqueles 2 ( dois )  milésimos do ingresso de cinema, conforme o brilhante exemplo do ministro da Fazenda, Joaqum Levy.
Sabe o que o procurador que chefia a força-tarefa da Lava Jato disse hoje? Que a corrupção tira dos cofres públicos R$ 200 bilhões por ano.
Exato: estão cobrando mais impostos porque os ladrões tiram do governo 6,5 vezes mais do que o déficit de R$30,5 bilhões,  previsto no orçamento do ano que vem.
Com a parte dos ladrões, a União também teria fácil fácil o dinheiro para pagar um pedaço dos juros da já enorme dívida pública, e seguir de cabeça erguida. Mantendo a economia do Brasil minimamente sustentável.
Esse pedaço para pagar os juros é o famoso superávit primário.
Além dos R$ 30,5 bilhões do buraco, o governo está atrás de outros R$ 34,4 bilhões, que formariam o superávit primário = juros da dívida de 0,7% do PIB. A propósito, pagar juros da dívida não é economia nem poupança coisa alguma. É obrigação. Na soma dos dois, buraco mais juros, chegamos a R$ 64,9 bilhões.
Se os ladrões contribuíssem apenas com esse valor, sabe quanto ainda sobraria para eles continuarem a roubar do seu, do meu, do nosso? R$ 135,1 bilhões.
Ou seja? Tem que aumentar imposto, não, moço!
Chama o ladrão e fala pra ele parar com isso.
Eu me sinto como aquela pessoa abordada por outra que até tem reputação de ser honesta. Todo ano ela pede mais dinheiro. Diz que está quebrada. Que é urgente. Imprescindível. Só que eu sei que ela vai deixar a grana continuar a sair por uma verdadeira peneira. Eu empresto e depois empresto de novo, mas a minha “devedora” nem se dá ao trabalho de vedar a peneira, porque conta com mais dinheiro “emprestado” no ano que vem. Eu sei que não vou receber. Porque ela não vai nem ligar se o larápio chegar de mansinho e levar a minha parte. Vai “lastimar”. Sim, a pessoa me aparece “lastimando” o roubo do meu suado dinheiro. Ora bolas, vai lá e fecha a porta, tranca o cofre, demite a peneira. Mas faz alguma coisa, pôxa. E por favor, trata de usar dinheiro em gêneros de primeira necessidade. Exemplos: investe na conservação de estradas, na construção e manutenção de hospitais, e na segurança da população, que continua sendo dizimada pela violência, urbana ou rural.
Como disse o procurador: R$ 200 bilhões dariam para triplicar investimentos em saúde, segurança e educação.
Entendi.

A credibilidade virou pó e a conta sobrou pra você

Com desemprego alto, as pessoas compram menos. Ou nem compram. Se a população como um todo recebe menos salários, o imposto de renda retido pelo governo na fonte cai, correto?
Quando esse cliente, desempregado ou sob ameaça de demissão some, as empresas faturam menos e, portanto, têm menos impostos a pagar.
Eis a recessão, momento em que a arrecadação dos governos (federal, estadual e municipal) cai.
O que o governo faz? Diz que a arrecadação caiu, e que, (também) por isso, precisa aumentar impostos.
Bem na hora mais difícil, em que pessoas e empresas lutam pra manter o nariz acima d’água.
Mas o governo não fez provisões para tempos difíceis?
Aí que está. No Brasil se fez o contrário. Distribuíram-se
favores a rodo em tempos de pujança. Com dinheiro seu, meu, nosso. Sem pedir licença.
Desperdiçou-se a era em que as commodities que exportamos estavam bombando. Hoje, acabou a alegria do minério de ferro, da soja, do café. Tudo está em baixa no mercado internacional.
Acabou-se o que era doce, e já estava criado, pelo Tesouro Nacional, um tremendo buraco nas contas que, ainda por cima, foi ardilosamente maquiado e teimosamente desmentido.
Insistiu-se que tudo estava ok no orçamento da União. Chegou a hora da verdade, o rombo apareceu, nossa credibilidade virou pó, e pra quem sobra arrumar a casa? Acertou.
Na maré boa, fizeram e desfizeram das contas públicas pensando na eleição.
Agora, caro contribuinte, vá ao cinema para contribuir com dois milésimos para o rombo da Previdência. (Como é que é, ministro? Previdência?)